sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O significado dos desenhos e símbolos nas tatuagens (segundo o cientista político Prof. Roberto Rocha)

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

I – A tatuagens são ingênuas ou inocentes, ou são o Raio-X da personalidade?




Qual seria o significado de um desenho de tatuagem ingenuamente, displicentemente, inocentemente, descompromissadamente, despretenciosamente, casualmente aplicada sobre a pele de uma pessoa? Pode este signo revelar algo sobre a sua personalidade, como um ato-falho psicanalítico freudiano típico?

 Ao se analisar o enorme prejuízo patrimonial, profissional, emocional ou político causados por uma tatuagem de risco, que do contrário deveria proporcionar apenas uma diversão ou uma simples adesão a um modismo ou pendor estético discutível ou não quanto ao bom gosto da escolha, ao contrário, vem em contrapartida trazer uma revelação indiscreta (inconsciente) como um imenso (testemunho) outdoor anunciando muito mais de sua personalidade do que as pessoas que se expõem imaginariam, então vamos comparar e identificar as tatuagens que produzem um potencial de qualidades de informações pessoais para chegar-se a uma avaliação estimada de uma exposição da sua personalidade e tendências de comportamento valiosas demais para o seu futuro chefe, patrão, parceiro ou amigo.

Quais são os parâmetros para se avaliar os quesitos de percepção característicos de uma tatuagem eficazmente?

  • Mauss supera Durkheim: Aperfeiçou a Sociologia a partir de dentro; Radicaliza a idéia de que a sociedade é uma totalidade ligada por símbolos. “As palavras, os cumprimentos, os presentes, solenemente trocados e recebidos, e aos quais se deve obrigatoriamente retribuir sob pena de conflito, o que são senão símbolos?” (Mauss).
  • Defende que a separação categórica conceitual primitiva é melhor expressa em simbólico/utilitário do que sagrado/profano.
  • Fatos sociais não são ‘coisas’, mas símbolos.
  • Fatos sociais são Fatos totais
  • Cultura é toda a maneira de fazer, pensar e de sentir externas ao indivíduo e que é suscetível de exercer sobre ele uma coação (acrescentou a liberdade).

O corpo é uma síntese da cultura, porque expressa elementos específicos da sociedade da qual faz parte. O ser humano, através do seu corpo, vai assimilando e se apropriando dos valores, normas e costumes sociais, num processo de inCORPOração (a palavra é significativa).

Mais do que um aprendizado intelectual, o ser humano adquire um conteúdo cultural, que se instala em seu corpo, no conjunto de suas expressões.

Para discutir com mais profundidade estas questões, utiliza-se um referencial cultural.

Não podemos imaginar um ser humano que não seja fruto da cultura e também não podemos imaginar um corpo natural.

Portanto, qualquer adjetivo que se associe ao corpo é fruto de uma dinâmica cultural particular, e só faz sentido num grupo específico. O ser humano só chegou ao seu estágio atual de desenvolvimento devido a um processo cultural de apropriação de comportamentos e atitudes que, inclusive, foram transformando o seu componente biológico através da plasticidade genética no processo evolutivo.

(Efeito (hipotético) da plasticidade fenotípica é que duas populações clonais (genéticamente idênticas) expostas cada uma à diferentes desafios ambientais, apresentam respostas (no decorrer das gerações) diferentes entre si a fim de sobreviver e se perpetuar em ambos os ambientes.
A plasticidade fenotípica confere ao indivíduo a habilidade para responder às diferentes condições ambientais.
Evolução divergente ou divergência evolutiva ocorre quando duas ou mais características biológicas tem uma origem evolutiva comum, mas que divergiram ao longo da sua história evolutiva. Isto também é conhecido como adaptação ou evolução adaptativa. Estes caracteres podem ser estruturas visíveis de diferentes espécies ou entidades moleculares, como genes ou um ciclo bioquímico. Este é um tipo de relação que é observada na biologia evolutiva.)

Não é possível desvincular o indivíduo da sua cultura ou da cultura em que está imerso. O que o diferencia de outros animais, principalmente a sua capacidade de produzir cultura. Cultura essa que não é um ornamento, um algo a mais que se sobrepôs à natureza animal. A cultura foi a própria condição de sobrevivência da espécie. Portanto, pode-se dizer que a natureza do ser humano é ser um ser cultural (GEERTZ, 1978).

Estamos falando das técnicas corporais que Marcel Mauss, um antropólogo francês, definiu, já na década de 30, como as maneiras de se comportar de cada sociedade.

Mauss considerou os gestos e os movimentos corporais como técnicas próprias da cultura, passíveis de transmissão através das gerações e imbuídas de significados específicos. Técnicas corporais culturais, porque toda técnica é um hábito tradicional, que passa de pai para filho, de geração para geração. Segundo ele, só é possível falar em técnica, por ser cultural (MAUSS, 1974, v.2).

O sentido de Cultura Corporal que se utiliza parte da definição ampla de Cultura e diz respeito ao conjunto de movimentos e hábitos corporais de um grupo específico. E nessa concepção que se pode afirmar que não existe um discurso puro do corpo. O corpo não fala sobre o corpo, será apenas mais um discurso sobre o corpo.

Em uma dada época, num determinado contexto, um discurso prevalece sobre o outro. Em outros termos, não há corpo livre, mas discursos sobre corpo livre; não há corpo consciente, mas discursos sobre corpo consciente.

KOFES (1985) discutiu de forma pertinente esta questão do discurso do corpo X discurso sobre o corpo, afirmando que é necessário manter as seguintes indagações quando se aborda esse tema: "(...) o que a sociedade está afirmando dos corpos? que corpos? que individualidades? que sociedades?"(p.57).

Continuando, Mauss diz que é próprio da natureza da sociedade exprimir-se simbolicamente em seus costumes e em suas instituições; contrariamente, as condutas individuais normais jamais são simbólicas por elas mesmas: são elementos a partir dos quais um sistema simbólico, que só pode ser coletivo, se constrói.

É que a cultura é um sistema simbólico e um sistema simbólico, por sua vez, é uma construção coletiva porque não se pode simbolizar sozinho.

Cada sociedade decide o que é tolerado para si, o que é proibido, o que é aceitável, o que é decente ou imoral e em função desta classificação é que alguns indivíduos podem ser considerados delinqüentes, loucos, imorais, impróprios, ímprobos, desonestos, inadequados ou loucos, pois não correspondem aos padrões engendrados pela sua cultura.

Todos os níveis, biológicos/psicológicos, sociológicos, históricos, econômicos, jurídicos, etc... são constitutivos de uma determinada sociedade e devem ser apreendidos em seu conjunto, de modo integral e holístico.

Tipos de motivos básicos de figuras tatuadas de acordo com o grupo-típico de personalidade proposto pelo Psicólogo russo .....Sergei Tchakhotine

1

a)



b)



c)



d)
Profissão
Militar, cirurgiã, política, diplomata, lutadora, desportista, piloto, advogada, motorista, marinheira, detetive

Cozinheira, hoteleira, comerciante, engenheira, sacerdotisa, funcionária, empregada, agricultora, crítica, avaliadora

Dançarina, artista, atriz, músico, pintora, esteticista, cantora, cabeleireira, escritora, arquiteta, modelo, manequim

Filósofa, professora, educadora, pedagoga, doméstica, médica clínica, enfermeira, juíza, religiosa, promotora de eventos


(3)



(2)



(1)



(0)
2
a)


b)

c)

d)
Leão, onça, tigre, gorila, tubarão, urso, jacaré serpente

Elefante, baleia, girafa, cavalo, boi, cachorro

Gato, pássaro, coelho

Águia, formiga, abelha

(3)


(2)

(1)

(0)
3
a)

b)


c)

d)
Futebol, voleibol, hóquei

Jiu jtsu, karatê, Box, taekwondo, automobilismo, capoeira

Xadrez, dama, dominó, baralho

Tênis, golfe, surfe, equitação, skate, ciclismo


(0)

(3)


(2)

(1)
4
a)
b)
c)
d)

Vermelha, laranja, amarela, limão
Verde, azul
Lilás, roxo, rosa
Marrom, preto, branco, cinza

(4)
(3)
(2)
(1)

III – Segunda Parte
 Análise das escolhas iconográficas ou signáticas das tatuagens.

Quando o desenho ou figura das tatuagens pertencerem aos itens:

a)      Personalidade extremamente agressiva, dominante, fria e imparcial.
b)      Personalidade organizadora, mediadora, metódica e formalista.
c)      Personalidade leve, solta, sentimental, emocional e sensível.
d)     Personalidade materialista, racional, minimalista, prática e pragmática.

Quadro segundo Serge Tchakhotine

Impulso
Instinto
Complexo
Neo-reflexo
Fulguração
Intelectivas
Vitatitude
Sentimento
Cultural
a)
Combativo
Combativo
Caim
Agressividade
Coragem
Despotismo
Luta
Nacionalismo
Socialismo
b)
Nutritivo
Digestivo
Oro-nasal
Propriedade
Avidez
Avareza
Nutrição
Religioso
Filosofia
c)
Sexual
Sexual
Narcisismo
Carinho
Paixão súbita
Depravação
Sexual
Amoroso
Arte
d)
Paternal
Paternal
Édipo
Altivez
Sacrifício
Misantropia
Maternal
Amistoso
Ciência




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