sábado, 28 de novembro de 2015

Moralidade e Ética

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político Moralidade O que é moral? Moral é um comportamento (ação, ou abstenção) conscientemente adotado diante de regras objetivas estabelecidas. Tal comportamento moral nada mais é do que a interpretação diversa e pessoal, de cunho intrinsecamente subjetivo e consciente que modifica as normas de acordo com a conveniência pessoal de modo diverso das normas objetivas. Desde o Mito da Caverna de Platão (Aristocles) ficou claro que o mundo é um conceito criado por cada indivíduo, dado que a percepção da realidade por cada pessoa depende da sua capacidade de compreensão e da sua apercepção da realidade. Portanto a realidade é única para dado indivíduo. Não existe o objeto concreto, real senão como uma representação do fato objetivo no processo subjetivo de reconhecimento do mundo. Schopenhauer em seu livro famoso O Mundo Como Vontade de Representação, Kierkgaard, Husserl, Hidegger estes todos denominados fenomenologistas, incluindo Platão e Kant, controversamente expressa fenomenologicamente, ou seja, subjetivamente, do que eles discordam entre si dentro dos limites da interpretação e da reinterpretação subjetiva, do que representa para si da realidade e da Fenomenologia, termo somente revelado por Husserl. Assim, o conceito de moral somente pode ser entendido como a internalização no sujeito das expectativas de comportamento em sociedade, ou seja: a sua visão utilitarista individualista e egoísta sob as quais se baseia o seu sistema pessoal de tomada de decisões. Para se evitar esta liberalidade de interpretações sobre o que cada indivíduo deveria decidir sobre aquilo que é melhor apenas para si sem considerar as consequências fora de seu âmbito pessoal e que poderia contrariar os seus interesses particulares, então para que todos tenham os mesmos direitos e utilidades assegurados em conjunto, para que o coletivo ganhe em detrimento do sacrifício das prerrogativas de cada um em particular, surge a saída chamada Ética que é a prática coletiva e obrigatória que impõem a cada um dos indivíduos em particular a perda de parte de seus privilégios e a supressão de alguma prerrogativa ou a perda de parte de seus direitos para que a soma de todas as utilidades individuais não resulte em prejuízo coletivo. Como cada indivíduo de per si seria incapaz de fazer este cálculo de utilidade coletivo a partir de sua visão particular do que seria uma vantagem apenas para si, as regras da Ética precisam ser acatadas a despeito do cálculo individual que cada um faria tendo em vista do sacrifício que teria que fazer para o bem que indiretamente lhes seja compartilhado no coletivo. Este cálculo de utilidade não permite que um indivíduo egoísta reconheça claramente as vantagens para o coletivo, por isso as regras da éticas são impositivas e geralmente impõem alguma desvantagem na entrada (meios) que se transforma em vantagem na saída (fins). Na Ética os meios justificamos fins. Nada pode ser bom se forem usados meios inaceitáveis eticamente. Eu me pergunto como se sentiram os cristãos católicos e protestantes diante da realidade da escravidão do século dezoito. Eram famílias de europeus brancos, rezando e fazendo as suas penitências e ordenanças rituais domingueiramente, ali contritos, rezando e orando, mesmo que naquele mesmo momento eram negados a mesma humanidade e o direito de culto aos seus escravos ali perto nas senzalas, nos depósitos de escravos, lhes era negada a dignidade de se vestirem, de comerem à mesa, de terem uma família, de se amarem, de casarem, de terem afeto, de terem sentimentos, eram corpos sem direito às suas religiões, a se casarem, eram ora mercadorias, ora bens de troca, vendidos e comprados como cavalos, eram examinados nus como quaisquer animais de trabalho. Então a ética é uma circunstancialidade, que depende da convenção social temporal e geográfica? Não existem valores absolutos para a ética? Claro que existem os valores absolutos, e estes valores absolutos quais foram violados, são os: direito à vida, à propriedade privada, direito a autonomia, direito de escolha e direito à inviolabilidade pessoal. Sempre existiram todo o tempo tais direitos desde que o sapiens deixou a caverna e iniciou-se na vida em conjunto, em grupos, em comunidades, em clãs, em sociedade tais direitos inalienáveis e inegociáveis sempre existiram desde então. Ocasionalmente os esquemas sociais tentam flexibilizar tais direitos pelo uso da força coercitiva, através de guerras de dominação sobre outros grupos quando se impõem a submissão que inicia-se pela escravidão, servidão sexual e pela tributação exclusiva dos povos e nações derrotadas em confrontos e conquistas de espólios da guerra e conquista. Escravidão e servidão não foram atos inocentes nem foram atos contingentes, foram atos antinaturais e premeditados em quaisquer circunstâncias, por que não eram universais, excluíram os parentes, os membros mais queridos dos clãs, das famílias, da elite, eram castigos impostos aos inimigos e aos estrangeiros mal quistos. A Igreja Católica Apostólica Romana não os possuía, mas não assumiu a condenação da escravidão negra. Confissão tácita da consciência da maldade e da discriminação causada pelo sistema escravagista. Nem tudo aquilo que é acolhido e chancelado pela sociedade pode ser aceito como ético e moralmente correto. São princípios invioláveis: a integridade física, a integridade mental, a integridade psíquica, a integridade sexual, a integridade emocional, a integridade da autoimagem, a integridade das crenças, a integridade cultural, a integridade étnica, a integridade da escolha, a integridade parental, a integridade da propriedade material, a integridade da propriedade intelectual, a integridade da propriedade artística-cultural, a integridade do domicílio, a integridade do uso do tempo, a integridade da atividade laboral, a integridade da atividade profissional e a integridade intelectual. 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terça-feira, 17 de novembro de 2015

O ISIS

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político • • O ISIS e o Ocidente Negligenciada pelos estudiosos e especialistas em Ciências Sociais, a importância da Religião foi por mim destacada em um texto nominado “É a Ética, estúpido”. Neste trabalho monográfico eu inicio com uma exortação para a primeira das regras criada justamente quando as comunidades se viam a si mesmas como instituição nos primórdios da humanidade. A primeira sociedade humana descobriu que precisava criar um estatuto social para que a sociedade fosse possível. A vida é possível sem normas e regras, mas a sociedade não vive sem uma convenção social acordada. A primeira etapa para a inclusão social é a aceitação da primeira regra social que foi a regra da Ética, também chamada de Moral pública. A evolução natural das regras da ética social levou a humanidade a incorporá-las a partir de um princípio superior aos seres humanos através da transcendência destas regras, transcendência que deu oportunidade para a fusão das regras e normas sociais com as crenças e expectativas transcendentais incorporadas do fetichismo e do animismo que foram as protoreligiões humanas. Combinando as tradições, os costumes, as lendas, os mitos, as crenças ancestrais, as histórias de um povo, tudo isso formou a cultura de um grupo social que incorporando as protoreligiões, e onde já existiam, as religiões, fincamos as primeiras normas civis do Estado de Direito. Este estado de direito durante muitos séculos hesitou entre a submissão completa às tradições e às religiões e a alternativa de acatar e receber estas contribuições das tradições religiosas em parte no seu arcabouço civil. Entre os dois extremos entre as teocracias e as repúblicas oscilam em nuances infinitas as constituições e as práticas sociais e jurídicas de todas as nações do mundo. Ao retomarmos este debate alguns princípios precisam ser restabelecidos, porque desprezados e esquecidos pelas Ciências Sociais: 1 – A religião é importante para as Ciências Sociais 2 – A Ética e a Religião são as bases de referência para a sociedade 3 – O respeito às diversidades religiosas e culturais entre culturas foi violentado pelo Ocidente 4 – A visão de catequese sobre as culturas ditas atrasadas incitou a ruptura entre o Islã e o Cristianismo 5 – Nada aprendemos com as Cruzadas, Inquisição, Catequese espanhola e portuguesa de Colombo e Cabral dos nativos do Novo Mundo, Nazismo, Apartheid da África do Sul, Segregação Racial no Sul dos EUA, Escravidão dos negros, com o Muro de Berlim, com a Guerra Fria. 6 - O Ocidente supervaloriza o indivíduo, o individualismo, a competição individual e os heróis solitários; o Oriente enfatiza que individualismo é uma patologia social extremamente destrutiva e que o heroísmo é um defeito de caráter pessoal, e que a sociedade é sempre maior do que o indivíduo. A referência obrigatória até por ser única referência teórica sobre guerra de posição e guerra de movimento deve ficar com Antônio Gramsci. Este sociólogo e economista italiano em seus escritos da prisão, justamente quando esteve preso na Itália por causa de seu comunismo militante de facção diversa das correntes revisionistas, revolucionárias e das correntes reformistas do comunismo teve a capacidade de teorizar sobre os aspectos estratégicos e táticos dos atos sociais, das instituições e entidades. O que Gramsci teorizou em seu princípio-conceito da hegemonia sobre movimento e posição diz respeito às duas variantes possíveis de estratégias e táticas combativas na sociedade capitalista em prol do comunismo gramsciano. As batalhas midiáticas das posições em defesa da opinião são travadas em todas as arenas e por todos os meios e por todos os suportes de comunicação seja de massa ou seja em redes sociais, seja pela convergência de suporte das mídias eletrônicas em todos os casos para construir uma opinião pública consensual através do processo de convencimento e da tática de marketing de comunicação no contexto que ele denominou o conjunto de ações e de táticas como uma guerra de posições ideológicas e de construção de posição intelectual na sociedade, através dos formadores de opiniões que ele classificou de intelectuais orgânicos. Intelectual de Gramsci é aquele capaz de recrutar, preparar e liderar seguidores para estabelecer a direção e a condução da sociedade dentro de um projeto e de um plano de ação social de militância ideológica. A outra prática que ele denominou de guerra de movimento diz respeito às movimentações dos agitadores de massa que fazem passeatas, protestos, ameaças, ações nas ruas chamados movimentos sociais. Os movimentos são parte da estratégia gramsciana para estabelecer a hegemonia de classe numa sociedade que ainda não se transformou em uma sociedade conduzida pela ditadura do proletariado comunista. A noção de movimento social nasce das teses gamscianas de guerra ideológica que abrange as táticas de guerras de posição e de movimento, onde e quando uma ou outra se provar mais necessária, suficiente e adequada aos meios de fortuna que se dispuser no momento histórico material. Assim, fica ideologicamente caracterizado o processo de disputa dentro do cenário de disputa religiosa agora inserido diretamente no cenário político contrariando as agendas dos pensadores e de lideranças ocidentais que imaginavam ter isolado a religião de posição central desde as épocas dos imperadores divinos e dos faraós, para a era contemporânea pós filosófica e pós renascentista-positivista Quantos revolucionários teorizaram sobre o lugar de importância que a religião teria de ter na sociedade e no estado moderno? Desde a invenção da república pelos romanos dessacralizando os reis e a linhagem sangue azul hereditária, desde a invenção da democracia pelos gregos declarando a morte à mitologia e a tradição religiosa, desde o fim da teocracia da Idade Média e o fim do império papal, desde os escritos de Maquiavel separando a moral e a religião da política do príncipe, desde o positivismo de August Comte que criou a religião da ciência empírica, desde o ateísmo Marxista que despachou a religião para o conceito de droga dos alienados, desde Max Weber que separou a ética da responsabilidade da ética da convicção, então a religião como ideologia de Estado deveria estar em seu lugar de semi-importância na sociedade moderna. Eis que insurge pelas mãos e corações Charianos a religião nas agendas dos dirigentes do G8 e do G20 e envolvendo toda a humanidade a repensar o papel da religião no Estado teocrático, melhor, nos estados petroislâmicos teocráticos. Rapidamente os valores morais tradicionais no Ocidente vão se relativizando, e de relativos vão se volatizando, e vão sendo rapidamente eliminados, tudo o que é regra e tudo o que é proibido precisa ser retirado dos costumes, assim o mundo islâmico assiste a profanação de seus lugares e crenças sagradas pela concepção da mais completa decadência ocidental, e tragada pelas drogas, pela prostituição, pela depravação, pela luxúria e pela total ausência de limites enquanto a sua sociedade oriental regrada e previsível ressente-se do choque das civilizações, cada qual vendo a outra como muito mais do que a outra, vê a outra como a outra desgraça, como decadência ou como a sociedade de escravos da tradição ilógica e incognoscível. Sem possibilidade alguma de se reconhecerem uma na outra Ocidente e Oriente parecem duas possibilidades opostas de culturas de terráqueos. O Ocidente criou uma sociedade tolerante, livre e diversa, multiculturalista e democrática que para defender este estilo de vida construiu uma muralha de intolerância com 51 mil armas atômicas, dez porta-aviões nucleares, setenta e um submarinos, aviões furtivos de quatrocentos milhões de dólares, drones assassinos, destruição e destituições de ditaduras com o assassinato dos líderes totalitários, boicote, sansões econômicas, bloqueio e isolamento internacional de países, parece que Arístocles (Platão) tinha razão em dizer que a democracia é o menos pior dos regimes, e que o remédio para uma democracia claudicante é a velha autocracia. Assim continuamos ignorandos os gritos surdos e indecifráveis dos suicidas islâmicos, preferimos ignorar que ninguém deseja e planeja se imolar, se explodir a não ser que esteja desesperado, sem saída, confinado, cercado, conforme Durkheim em seu estudo sobre o suicídio onde distinguiu três formas de suicídio, o social, o individual e o anômico, neste caso o ser-bomba homem ou mulher comete a modalidade durkeimiana de suicídio social, morre em nome de uma sociedade, de uma religião, uma crença para que com o seu máximo sacrifício deixe uma mensagem que não é entendida no ocidente a não ser como loucura. Quantas loucuras serão necessárias para pararmos de pensar que são gestos vãos, DE ACHARMOS QUE SÃO TODOS IMBECIS e não pensarmos o oposto de que são gestos desesperados, no limite do altruísmo, como nós ocidentais fazemos, queremos esquecer do esquadrão do capitão aviador Jymmi Doolitle que para vingar o ataque dos japoneses a Pearl Harbour ajuntou um grupo de aviadores se lançaram em uma aventura sem volta para vingar e mostrar aos japoneses que eles poderiam atingir o Japão, mesmo naquela circunstância quando os EUA ainda estavam despreparados para atingirem o Japão com uma força militar adequadamente preparada. Foi uma missão sem volta, suicida. Mas nós ocidentais preferimos acusar os outros de irracionais, de selvagens e loucos. Onde está a loucura em defender-se dos ataques ao seu estilo de vida? Quantos séculos levamos para aceitar que os índios andem nus pela floresta, quantos séculos para aceitar o seu estilo de vida como o infanticídio de índios nascidos defeituosos, para aceitarmos seu costume de abandonar os velhos à morte, para aceitarmos seus costumes selvagens de canibalismo antropofágico e antropocêntrico, para aceitarmos seus rituais de passagem das meninas-moças que ficam confinadas dois anos sem ver o sol nem os parentes quando atingem a menstruação, dos jovens que na puberdade precisam demonstrar resistência à dor e saber caçar e sobreviver sozinho antes de serem aceitos no grupo de homens da tribo. Ainda assim, queremos obrigar que os islâmicos coloquem as mulheres em pé de igualdade em suas sociedades com os homens, queremos que elejam os seus dirigentes e extingam o poder tribal, queremos que eles se tornem tão civilizados como nós, mas que permitimos aos indígenas viverem a sua própria cultura. Eles são suicidas. Nós temos heróis-suicidas. Etnocentrismo ocidental. Falta de autocrítica. Esta sociedade tolerante não admite nenhuma outra que não seja ela própria.