segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sistemismo: Capítulo XXXIV

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

CAPÍTULO - XXXIV
























DEMOCRACIA: COESISTÊNCIA DOS CONGLOBADOS, ANARQUIA VERSUS HIERARQUIA



















DEMOCRACIA: COESISTÊNCIA DOS CONGLOBADOS, ANARQUIA VERSUS HIERARQUIA





















A construção de uma sociedade está muito mais perto do que supomos, neste momento em que todos os ingredientes já estão na mesa e quando a sociedade já anseia por esta nova ordem.

Antônio Carlos Niemeyer

Democracia: Coesistência dos Conglobados, Anarquia versus Hierarquia



A coesistência de variados sistemas sociais, políticos, econômicos, culturais é uma realidade a que nos acostumamos e isto nos deixa na situação de aprendermos a conviver com a diversidade multicultural que produz uma série de fenômenos e interações que decorrem desta circunstância, a mais óbvia é a competição pelo poder e não raro ocorre também o fenômeno da cooperação.

Para efeito didático o sistema social foi tomado para análise com o método do tipo ideal, isolado das condições reais mas que idealmente não deveriam existir.

Aqui, neste esforço analítico um país pode ser uma unidade analítica, tanto quanto um estado, ou um município, um bairro, uma empresa ou um clube, dentro das condições de contorno idealmente estabelecidas, porém o senso comum nos sugere que se existe uma sensação de compartilhamento de poder pelo sistema sentimos orgulho e satisfação de pertencermos ao sistema onde a hierarquia é bem delineada, visível assim as interações externas refletem esta mesma tranqüilidade, a confiança nos nossos líderes aumenta e o altruísmo atinge o patamar ideal.

O contrário disto é o esfriamento gradativo nas relações sociais, o conseqüente desmembramento e desagregação social que fraciona o grupo em parcelas cada vez menores, até que os grupos familiares também reduzem-se a amontoados sem coesão, e o que se vê é uma série de tentativas heróicas para estabelecer um impulso inicial na direção da societarização, e na ânsia de queimar etapas deste processo quer se chegar logo ao final sem construir primeiro a estrutura ideológica sobre a qual se assentam os alicerces da coesão baseada no altruísmo, que é o liame da rede de relacionamentos que formam a trama da rede social sólida da vida societária.

A democracia quando limitada ao conceito stricto sensu absorve o conceito de hierarquia, desde que as oportunidades de acesso sejam francas e abertas, dentro de regras claras equânimes isto não significa necessariamente que os insatisfeitos ou prejudicados possam investir contra o sistema quando se virem ultrajados, já que no sistema o princípio da legalidade se sobrepõe ao da justiça, a violência legítima é uma prerrogativa do instrumento institucional específico do aparelho de hegemonia do estado, a ninguém é permitido quebrar este princípio da ordem sob o risco da quebra das expectativas sociais.

Este esforço para a manutenção da organização societária consome energia e esforços constantes e permanentes, ao contrário do truísmo da mão-invisível que estrutura o dogma do modelo de mercado auto-regulável, a lei da entropia garante que o grau de desordem de um sistema só faz aumentar se o sistema for deixado à sua própria sorte, em outras palavras: a única coisa que prospera expontaneamente na natureza é a desordem, o princípio da ordem, mesmo no mundo animal, quando estritamente obedecido produziu as sociedades mais profícuas e duradouras na natureza, é claro, não se espera que este modelo estrito seja transplantado para a sociedade humana, pois as limitações seriam muito severas, além do mais a sociedade e a civilização humanas já atingiram um estágio de desenvolvimento cultural e tecnológico em que as interações pessoais terão cada vez maior importância para a sociedade, então não se poderá ignorar este elemento cuja extensão aos domínios do universo só pode ser especulado, mas que se tal pudesse ser confirmado para além da esfera terrestre não nos traria surpresa este fator de coalesce o universo no macro e micro-cosmos que é o poder.



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Sistemismo: Capítulo XXXIII

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

CAPÍTULO - XXXIII
























DOGMAS DO SOCIETARISMO: PODER, BEM-COMUM E SOBREVIVÊNCIA



















DOGMAS DO SOCIETARISMO: PODER, BEM-COMUM E SOBREVIVÊNCIA





















O poder é o verdadeiro fio condutor invisível da História, que costura os fatos e fornece a única explicação possível dos motivos e razões das guerras e outras situações que até mesmo careciam de uma explicação consistente.

José Ortega y Gasset

Dogmas do Societarismo: Poder, Bem-comum e Sobrevivência



O societarismo também possui os seus dogmas, os quais, como qualquer dogma, são irrefutáveis e o que se pode fazer em relação a eles é aceita-los ou não. O primeiro dogma e o mais importante é o dogma do poder. Este dogma diz que o poder é o elemento estruturador do universo, que toda luta pela vida, por espaço vital é uma luta pelo poder. Toda estrutura do universo luta por espaço vital de poder, quer seja manifesto pela força gravitacional que traciona e interfere em outros objetos menores e próximos de modo a determinar-lhes uma trajetória cativa como a órbita de um corpo celeste em torno de um corpo mais poderoso, quem tem mais poder dirige a trajetória do outro.

Toda sociedade animal, vegetal, mineral e principalmente humana disputa o seu espaço para estabelecer a sua supremacia, a sua predominância não só sobre as outra espécies como sobre o meio-ambiente e isto ocorre de modo tão sistemático e generalizado na natureza que até nos sugere a questão de que não existiria um plano pré-determinado nas estruturas dos elementos mais simples da natureza da matéria que determinasse este comportamento, que se reproduz do nível atômico, com as forças subatômicas aprisionando as partículas umas às outras, as mais fracas às mais fortes, até nos grandes aglomerados galácticos fundindo-se e interagindo uns nos outros para determinar a formas, velocidades, trajetórias e duração das formações celestes.

É sobre esta disputa que centram-se as preocupações de toda espécie humana, para isto vale-se de seus melhores recursos cognitivos, força, habilidade, instrumentos, capacidade e de recursos para ver realizada esta compulsão de dominar o espaço próximo, de fazer prevalecer a vontade própria, de impor os desejos, e quanto mais próximos de realizarmos este sonho maior é a nossa satisfação, pois esta é a compensação esperada.

O societarismo apoia-se neste dogma para demonstrar o modo mais eficaz de atingir a satisfação plena, de fato é o princípio que tem obtido maior sucesso neste intento; é sem dúvida um jogo pesado, mas esta realidade também é; talvez por este motivo tenha permanecido oculto por tanto tempo. É revolucionário, chocante, estarrecedor, desconcertante, instigante inacreditável. É uma mudança radical na História humana, os fatos que pareciam soltos e dispersos ou que pareciam apenas caprichos de homens poderosos, parecem agora adquirirem consistência, uma vez que aquilo que fizeram, ou foram, agora possui uma explicação e motivação reais; aquilo que carecia de lógica agora tem uma explicação, todos os fatos históricos foram e serão desvendados e explicados em torno dessa disputa pelo poder, qualquer outra explicação carecerá sempre de argumentos convincentes e conseqüentes, por mais sérios e consistentes que possam ser construídos por historiógrafos que no afã de tornarem a História um conjunto de fatos coerentemente encadeados dentro de princípios de causalidade, muitas vezes deixam mais dúvidas do que respostas.

O poder é o verdadeiro elo de ligação que faltava à História da civilização, agora sim os atos históricos parecem coerentes e completamente desnudos, tudo se encaixa, tudo se explica: esta é a única razão da História não ter sido uma linha contínua previsível, ou um círculo, ou uma espiral, os atos humanos têm um objetivo concreto e coerente, não é mais necessário a adição de fatores paralelos, intervenientes e circunstanciais, nem princípios doutrinários de difícil compreensão, cuja assimilação só se dá a custa da aceitação de uma série de outros princípios e leis subsidiárias apriorísticas.

O outro dogma é o do bem-comum, este lembra um princípio religioso mais do que uma ideológico, mas demonstrar-se-há tratar-se de uma idéia provada eficiente, e esta é a razão do sistema te-la adotada.

Em uma sociedade em que a propriedade é a preocupação permanente e obcessiva das pessoas falar-se em bem-comum reflete a idéia de contrato social em torno da defesa do patrimônio material, onde todos aceitam tacitamente todos os males decorrentes da alienação do direito legítimo da autonomia individual em troca da garantia dada pelo estado sobre o direito à propriedade, na melhor tradição de Rousseau, no entanto, por mais utilitaristas que sejam as pessoas têm-se que admitir que a vida na sociedade seria impossível sem a concorrência do altruísmo orgânico compulsório da divisão assimétrica do trabalho social e da divisão das tarefas no trabalho laboral.

Imaginemos, só para argumentar, que cada pessoa fosse auto-suficiente então cada qual cuidaria da construção de sua própria rede de esgoto, de sua produção de energia elétrica, de seu próprio sistema de telefonia de modo autônomo e independente: certamente isto numa cidade seria uma calamidade pública desproporcional, cada casa com a sua própria bitola de seu sistema de esgotamento sanitário, encanamento de água, seria muito complicado interliga-los entre si estes subsistemas para fazer o escoamento dos dejetos para algum lugar distante através de um duto comum que deveria ser por sua vez dimensionado para dar vazão à demanda de descargas de toda a rua, bairro e cidade, por este motivo as pessoas concordam tacitamente que alguém ou alguma entidade deve estabelecer padrões para serem obedecidos e aceitam que um terceiro cuide para que toda esta rede seja projetada, construída e usufruída em comum.

Este fato é de uma obviedade incontestável, desta forma o bem-comum que aqui foi a única solução para o problema individual de cada morador sugere que esta forma de solução pode ser expandida e extrapolada para outras situações dentro dos muitos aspectos da atividade humana ainda não tentados.

Alguns serviços só têm o seu concurso no sistema social se executados e conduzidos de forma coletiva, conjugada e coordenada, nós já estamos tão habituados a isto que mal percebemos esta realidade, tal é a sua eficiência sistêmica que nem se quer cogitamos pensar em outra forma de faze-lo, como por exemplo, o serviço de geração, transmissão e de distribuição de energia elétrica, serviço telefônico, correios e assim por diante.

Mas, o societarismo propõe-se ir mais além e deseja que nas instituições pensem-se em coisas mais ousadas e expandam este conceito para aplicações mais abrangentes e que penetrem e mudem o modo de vida das pessoas para torna-lo mais eficiente, profícuo, feliz e conseqüente.

A sobrevivência das espécies e dos indivíduos foi o dogma mais forte que tem resistido epistemologicamente como o elo de ligação para os fatos ocorridos na História, sedimentou a teoria evolucionista de Darwin, e os postulados de Thomas Hobbes, neste momento em que desponta como uma explicação melhor e mais convincente, abrangente e totalitária o dogma do poder ganha em importância da categoria analítica sobrevivência da espécie no contexto de justificação.

Foi na época de sua enunciação em elemento bastante significativo e com enorme capacidade explicativa dos fenômenos estruturais, mesmo vencendo a longa polêmica até a sua aceitação científica, o que esperamos acontecerá ao seu substituto dogmático societarista.

Em nome da categoria sobrevivência ancoravam-se todas as considerações sobre os atos humanos e dos demais seres vivos, mas o que tornava esta categoria imprecisa era o grau de necessidade de sobrevivência que poderia ser suficiente para cada espécie, o que certamente lhe conferia uma grande flexibilidade e imprecisão, isto enfraqueceu este conceito, então uma série de outras condições acessórias tiveram que ser adicionadas para garantirem as condições de aplicabilidade deste conceito de sobrevivência; felizmente já não prescindimos dele, está claro que sobrevier só não basta, de que adianta a vida sem o poder?



Sistemismo: Capítulo XXXII

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

CAPÍTULO - XXXII
























AS MANIFESTAÇÕES DO PODER NO CONGLOBADO



















AS MANIFESTAÇÕES DO PODER NO CONGLOBADO





















A importância do poder é tal que confunde-se constantemente as suas manifestações com o próprio poder. Conhecer estas manifestações pode ser a tomada de consciência para saber situar-se no sistema social.

o autor

As Manifestações do Poder no Conglobado



O poder é abstrato porém as suas manifestações freqüentemente adquirem formas concretas, estas formas são mais sedutoras por isto mais inteligíveis, por isto mais acessíveis do que as formas mais abstratas e virtuais, como é o poder.

Em sendo o poder pessoal de natureza latente,o legislador procura traduzir esta latência através da verbalização objetiva e positivada através da organicidade do sistema legal, construído de forma a alcançar e cobrir todas as formas de garantias deste poder em qualquer situação que vier a ser apresentado na sociedade onde haja uma ameaça social ou disputa em torno do poder.

O dinheiro possui uma forma sistêmica e cifrada de manifestar o poder de seu possuidor e manipulador de maneira direta que é bem aceita na sua linguagem telegráfica, incisiva e direta: "você vai fazer ou me dar algo agora para isto eu estou dando-lhe esta quantia caso você aceite fazer o que estou ordenando-lhe". É assim que se fecham quase todos os negócios, com esta linguagem silenciosa o comprador, através de seu dinheiro, exprime o seu desejo e uma ordem e o vendedor ou prestador de serviço se dispõe a atende-lo em troca do recebimento desta compensação.

De fato, isto funciona: se o vendedor acha a compensação insuficiente ele poderá recusar-se a prestar o serviço ou ceder a mercadoria sob seu domínio, assim o comprador exerce o seu poder mediatizado pelo dinheiro, e o vendedor exerce o seu poder discricionário de veto.

Quando o poder judiciário legitima as expectativas das pessoas que recorrem a ele e principalmente aquelas que não recorrem e nele acreditam e evitam dele precisarem pela força da exemplaridade adiam-se os conflitos pelo poder latente diante da percepção da certeza da punibilidade, não que seja esta a causa única da manutenção do estado de direito, mas por outro lado, a demora, a corrupção e a parcialidade podem afastar as pessoas deste importante instrumento institucional de compartilhamento do poder, o que produz mais do que um mal estar e revolta ou apatia, no outro extremo, portanto os líderes devem cuidar que estas instituições funcionem dentro dos padrões aceitáveis pela sociedade, pois o poder conferido a estas instituições depende da maneira como ele é exercido, caso contrário torna-se inoperante, impotente, vazio, podendo ser extinto por desuso.

Deste risco são passíveis quaisquer instituições das mais estáveis e perenes às transitórias e específicas que não atendam às expectativas sociais da coletividade, podendo vir a mudar de forma e modo de ação antes de ser punida com sua desaparição e extinção, por mais poderosa e imprescindível que possa parecer, pois não se pode duvidar da força institucional do poder societarista da comunidade, a História é o cemitério dos céticos das instituições ineficientes, governos, formas de estados, ideologias e administradores que desafiaram esta verdade.





Sistemismo: Capítulo XXXI

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

CAPÍTULO - XXXI
























INSTRUMENTOS POLÍTICOS DO SOCIETARISMO



















INSTRUMENTOS POLÍTICOS DO SOCIETARISMO





















O instrumental de administração solidária e os aspectos da distribuição de poder através da propagação do altruísmo são atributos dos instrumentos políticos do societarismo.

o autor

Instrumentos Políticos do Societarismo



O societarismo utiliza-se de alguns instrumentos para fazer funcionar eficazmente o sistema social, possibilitando consequentemente que os seus objetivos sejam plenamente atingidos. Alguns destes instrumentos não dispensam o poder de coerção e de coação, outros são normativos e administrativos, pois o societarismo sendo um processo possui o seu método próprio.

Estes instrumentos já foram analisados e dissecados em capítulos anteriores desta obra, porém é preciso ressaltar que o processo de aperfeiçoamento está apenas começando, muita coisa há para ser feita, pois a dissecação do societarismo e do conglobado está apenas começando, a partir deste instante é que se deve pensar os instrumentos específicos do societarismo e do conglobalismo, uma vez que a ideologia esteja consolidada e madura, o seu objetivo final esteja bem focalizado.

Estes instrumentos deverão ter uma forma diferente neste novo estágio, uma vez que este processo hesitante de consolidação tenha sido já superado, então já não haveria necessidade de agir com a cautela própria dos momentos iniciais de qualquer empreendimento pioneiro, então dá-se passos mais ousados no caminho da aceleração na direção da integração sistêmica, para que a nova geração não tenha que ensaiar os passos pioneiros num outro processo já superado, e se um outro meio mais eficiente para alcançar o poder for descoberto e formulado de modo racional, o societarismo então será utilizado para acelerar esta mudança.

A mudança mais importante é cultural, representada pelo primado da ideologia, embora os instrumentos do societarismo, já discutidos, estejam sendo revistos continuamente, a deficiência mais grave e a mais comum advém da dificuldade para lidar com as mudanças dos padrões culturais que ainda não ocorreram; a ausência de altruísmo.

Se as pessoas experimentarem por uma vez verificariam que no egoísmo predatório a longo prazo o resultado é o desastre sistêmico, não existe instrumento institucional capaz de detê-lo ou de revertê-lo sem a pré-disposição e a colaboração consentida, muitas comunidades têm experiências frustradas desta dura realidade, e muitas vezes desejam mudar esta situação porém falta-lhes a liderança legítima para coordenar esta mudança, e por não disporem-na, não entenderem ou por não conhecerem tais instrumentos procuram apelar para os seus próprios meios empiricistas, e desastradamente despendem tempo e recursos valiosos para obterem cooperação na direção da recuperação da unidade do sistema social abalado e desestruturado, principalmente quando constatam tardiamente que não conseguem executar os seus projetos cumuns sozinhos heroicamente por sua conta e risco.

É preciso saber que o societarismo dispõe de tais instrumentos e não se deve hesitar em utiliza-los, isto é, em lugar de diminuir o prestígio do empreendedor, ao contrário, oferecer uma oportunidade singular a cada membro da comunidade de coparticipação da construção do sistema social e político, propiciando um compartilhamento do poder e das responsabilidades a ele inerente, além disto a exemplaridade desta experiência marcante da força do societarismo estimula as pessoas a expandirem a todos os setores da vida social o processo de trabalho cooperativo, estabelecendo um novo marco nas relações entre o poder e a sociedade. É para isto que servem estes instrumentos.



Sistemismo: Capítulo XXX

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

CAPÍTULO - XXX
























OBJETIVO DOS CONGLOBADOS: PODER TOTAL



















OBJETIVO DOS CONGLOBADOS: PODER TOTAL





















O conceito de poder é um paradoxo, por isto mereceria um ensaio em separado para ser dissecado dentro do método dialético, pois a sua importância e interesse que desperta não pode ser tratado de forma ligeira. A intenção do autor é catequizar e despertar o leitor ou estudioso para importância da reflexão sobre este tema para que as discussões sobre o tema sejam um processo novo e crescente.

o autor

Objetivo dos Conglobados: Poder Total



O objetivo de qualquer ser vivo é o poder. Como um imenso buraco negro no centro de uma galáxia, o poder estrutura o universo dando forma e consistência a tudo. O poder total jamais será de um indivíduo, porém com o societarismo existe a expectativa de estrutura-lo e domina-lo.

O societarismo pode, com sua ideologia e conceitos principiológicos, estabelecer a ponte de acesso ao poder de uma maneira ainda não realizada na cultura humana.

O poder é indivisível, este paradoxo é o princípio que só deixa a alternativa da coesão para o compartilhamento dele no sistema social e político organicamente por meio dos tentáculos da hierarquia de modo que este compartilhamento entre os membros do sistema social não signifique divisão, mas a distribuição, qualquer outra alternativa de divisão significa o confronto e a dominação pela violência.

O poder total seria a realização plena da espécie humana, é este o atrativo das religiões que oferecem a aproximação e o acesso a um poder inigualável: o societarismo procura demonstrar didaticamente a rede social por onde transita o poder, e os seus meios mais comuns são geralmente os mais acessíveis e objetivos tais como o poder econômico, o poder político e o da força bruta, mas não os únicos, uma distinção especial e pessoal singular pode conferir certo poder pessoal sobre um tipo de grupo de indivíduos específicos, como a beleza física de uma mulher capaz de hipnotizar e abrir-lhe as portas para o acesso à fluência social e para o sucesso; a fama; a fortuna age como uma chave mágica; a fluência no falar que vai abrindo portas para a ascensão social, pessoal e profissional, e, até amorosa; a inteligência onde ela é valorizada pode conduzir à liderança, ao prestígio e à fama; a coragem que pode transformar um anônimo em herói instantaneamente; a honestidade reconhecida que permite revelar pessoas que de outra forma continuariam anônimas não fosse o gesto singelo revelado fortuitamente transformando-as em modelos de virtude, enfim tudo aquilo que pode conferir um aspecto inusitado e desejado, singular, cobiçado e inigualado, por vezes despertando a cobiça e a inveja, assim o raro, o novo, o primeiro, o único, o melhor, o maior, o menor, o mais belo, são inúmeras maneiras de manifestação de poder que transformam o possuidor de tal qualidade numa personalidade especial adorada e valorizada, e por isto, de certa forma, dotada de capacidade de exercer o poder sobre os demais que sejam capazes de reconhecer e de submeterem-se diretamente ou indiretamente em virtude destas diferenciações para que o poder sobre eles seja exercido.

A diferenciação entre o reconhecimento com aceitação e a inveja e desdém com hostilidade está na maneira como este poder é exercido, se ele é compartilhado num reconhecimento latente da necessidade da cumplicidade então o poder é correspondido com aceitação e submissão, caso contrário aquele caldo de cultura de ressentimentos, de sentimento de inferioridade e de rejeição pode derramar-se em manifestações de desagrado, indignação e revolta; dentro deste cenário deve ser lembrado, novamente, aquele aspecto em que a civilização humana em todo canto do mundo superou no processo evolutivo os mecanismos de servidão e de exploração submissa, onde a fluência do poder é oferecida a todos e quem não consegue realizar este objetivo de conquista do reconhecimento de sua parcela de poder é considerado um fracassado: porquê lutar sozinho se agindo societariamente o esforço será menor e mais produtivo, com resultados melhores e maiores, alem do mais não é este o objetivo do societarismo?



Sistemismo: Capítulo XXIX

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

CAPÍTULO - XXIX
























A MICRO, MÉDIA E PEQUENA EMPRESA NO CONGLOBADO



















A MICRO, MÉDIA E PEQUENA EMPRESA NO CONGLOBADO





















O espaço dos pequenos dentro do conglobado, a sua capilaridade e importância naquelas atividades onde os tentáculos ou flexibilidade e agilidade das grandes empresas não os alcançam, garantem a sua enorme importância para a sociedade.

o autor

A Micro, Média e Pequena Empresa no Conglobado



Uma empresa quando nasce, a exemplo de um núcleo populacional quando é apenas um núcleo inicial, precisa de muito altruísmo para se fixar, precisa de muita dedicação e coragem de seu empreendedor ou sócios pioneiros para poder fixar-se e crescer, precisa de estabilidade para poder atingir um volume crítico o qual depende do tipo do negócio, do tamanho da demanda do mercado, da ambição de seus donos.

Quando comparada a outras empresas de maior porte as pequenas, médias e micro-empresas os aspectos mencionados que as dimensionam mudam totalmente a sua importância, pois que a competição pelo poder fica mais conspícua, uma vez que este é o objetivo final das ações humanas, na teoria conglobalista, então neste caso, as micro, média e pequenas precisam mais do que nunca utilizarem-se dos princípios do societarismo para obterem sucesso na luta pela conquista de sua parcela de poder.

A despeito das dificuldades naturais da associação este tipo de organização é o caminho mais rápido para o sucesso, o obstáculo maior é a resistência cultural dos donos e empreendedores a aderirem a esta tipologia de organização colegiada diante da perspectiva de compartilhamento do seu poder de dono do negócio que enseja um aparente perda de autonomia e de poder.

Os que já fizeram esta opção não se arrependeram ao verem o seu poder aumentado uma vez que participam de uma fatia menor de um negócio maior em lugar de uma participação total num negócio menor.

Esta mudança de mentalidade é o algo novo trazido pelo societarismo. Os diretores e vice-presidentes de grandes conglobados ainda sentem-se insatisfeitos apesar do grande prestígio das empresas que dirigem, não é por causa de suas posições nos assentos desta empresas e sim por causa da importância que lhes é atribuída pela sociedade. Enquanto avaliam a importância para sociedade da sua função nas empresas que dirigem sentem-se poderosos, mas quando percebem que a avaliação que a sociedade tem das empresas que dirigem não é a mesma sentem-se frustrados e mal-compreendidos.

Estas empresas vencedoras em geral resultam sobreviventes de um rigoroso processo de seleção natural que produz uma verdadeira mortandade infantil nas empresas, que vão nascendo aos borbotões e isto lhes confere uma distinção que é traduzida em poder diferenciado e estratificado pela estrutura social hierarquizada.

Estas micro, média e pequenas empresas sempre terão concursos assegurado na sociedade uma vez que o fracionamento e a estratificação social é um fato reconhecido pelo sistema e o reconhecimento dos grupos minoritários com as suas peculiaridades não é alcançado pelos projetos das grandes empresas por faltar-lhes flexibilidade e agilidade para adaptarem-se as demandas específicas e de baixa escala o que é possível às pequenas, micro é médias empresas, propiciando atendimento diferenciado e personalizado.

A despeito do tamanho e da revolução industrial com o seu processo sincronizado e automatizado que não chegou ao setor de serviços da economia, o setor de micro, pequena e média empresa escancara a porta de acesso ao mundo dos negócios do setor de serviços para a maioria dos empreendedores que procuram este nicho para iniciarem os seus negócios.

A legislação de quase todos os países protege e preserva o espaço da pequena, micro e média empresa na tentativa de garantir a isonomia fiscal, legal e concorrencial, mas às vezes, na ânsia de faze-lo acaba jugulando as grandes, o que produz uma série de distorções no mercado, então as demandas políticas dos pequenos esbarra na desconfiança e no receio dos grandes perderem competitividade, então a solução mais cômoda tem sido esta, a da proteção e com isto o sistema econômico fica cerceado pelas leis de excepcionalidades e externalidades, a saída é a associação dos pequenos em formas sistêmicas coletivas, cooperativas, associações, sindicatos, clubes, condomínios só assim o estado poderá liberar as grandes empresas das amarras legais diante dos pequenos tornando mais iguais as condições de atuação, e não o contrário onde se nivela todos por baixo.



Sistemismo: Capítulo XXVIII

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

CAPÍTULO - XXVIII
























TEORIAS DO CONGLOBALISMO E DO SOCIETARISMO



















TEORIAS DO CONGLOBALISMO E DO SOCIETARISMO





















A teoria é a bússola que guia as ações dos indivíduos para dar coerência às suas interpretações cognitivas sobre o os fatos, e orientar os atos voluntários, sua importância reside na sua capacidade de penetração sobre as fenômenos além do horizonte do senso comum.

o autor

Teorias do Conglobalismo e do Societarismo



Os novos processos constitutivos desta nova sociedade e do novo sistema econômico neste ambiente de grande fusões e incorporações de empresas expressam-se através de duas novas teorias: uma sobre a sociedade e a outra sobre o sistema político-econômico.

A teoria sobre o societarismo propõe-se a dar uma explicação, uma a mais, sobre a formação da sociedade humana por considerar insuficientes as teorias existentes quando aplicadas a este novo processo histórico e cultural da era pós-neoliberal.

Estas velhas teorias conhecidas que explicam o surgimento da sociedade constroem hipóteses teleológicas sobre a formação da sociedade humana em função de uma expectativa de justificação do processo político cultural que lhes abriga ou que lhes segue cronologicamente, as quais têm por objetivo a construção de um modelo do estado nacional, das formas e sistemas determinados de governo.

Assim, Thomas Hobbes, Jean Jacques Rousseau, Montesquieu, Hegel, entre outros construíram estas teorias que concorrem entre si pela primazia do estabelecimento do marco fundador da sociedade e das bases do estado nacional, e a estes juntam-se agora as teorias do societarismo e do conglobalismo.

Thomas Hobbes (1588-1679), filósofo inglês nascido em Westport, Wiltshire, publicou a sua obra mais famosa Leviatham (1651) onde nesta ele constrói uma hipótese sobre as origens da sociedade política e do pacto fundador da sociedade organizada em torno da única possibilidade que poderia retirar o homem de seu estado de natureza, expressão que Hobbes utilizou para representar uma situação em que sem qualquer forma de acordo entre os seres humanos todos estariam entregues à lei do mais forte, no que ele denominou de uma guerra de todos contra todos.

Somente um tirano poderia restabelecer a ordem geral que afastasse a ameaça permanente a que os indivíduos estão sujeitos no estado de natureza, para isto todos concordam que devam abrir mão e alienar o seu legítimo direito de defesa ao soberano em nome da construção da ordem legal absolutista que é adjudicada ao hegemom, para que este reine despoticamente sobre todos em nome da ordem e da paz.



Teoria do societarismo

A crítica preliminar e suficiente que o societarismo faz contra a hipótese hobbesiana é que esta teoria pressupõe a pré-existência de um grupamento humano anterior ao estado de guerra de todos contra todos, uma vez que só existe disputa e conflito pela sobrevivência se existir anteriormente ao conflito uma arena constituída que engendre este conflito na população. Antecedendo a qualquer forma de disputa vem o instante da formação de uma colônia ou outra forma de aglomerado humano, sem o qual não haveria a arena para qualquer tipo de disputa.

A disputa representada pela guerra de todos contra todos é uma representação pictórica da divisão assimétrica de privilégios e status naquela proto-sociedade. Só é justificável haver disputas se houver diferenciação social e/ou escassez de algum fator limitante , tal como água, abrigo, alimento, propriedade de utensílios, e outros bens.

Admitindo-se que nesta proto-sociedade as diferenciações naturais, a aglomeração da massa crítica demográfica teriam induzido à especialização, presume-se que a primeira regra a ser estabelecida seria a regra da divisão de tarefas; a segunda regra social a ser estabelecida seria a da divisão assimétrica do trabalho social, em função primeiro das diferenciações das habilidades naturais, em segundo lugar em função da necessidade de prestígio e de riqueza, em terceiro lugar o imperativo da sobrevivência.

A primeiro critério naturalmente sugerido de divisão de tarefas seria aquele orientada pelo fator etário, justificado pela capacidade física e intelectual dos infantes e dos mais velhos; o outro seria o critério da divisão natural ditada pelo sexo, pelo menos em certos períodos e fases do ciclo reprodutivo relacionado aos cuidados da gestante e do nascituro, que inclui a amamentação e os cuidados com a segurança da prole no período imediatamente anterior e posterior ao parto até aquele instante em que alguma autonomia pode ser dada aos bebês em relação aos cuidados da infância.

O societarismo credita a este momento histórico do início da divisão das tarefas e ao momento seguinte, o da divisão assimétrica do trabalho social, que se seguiu, o marco fundador da sociedade.

Para que o processo mais complexo da criação da sociedade, que é o momento em que a divisão assimétrica do trabalho social toma efeito, um pacto de sobrevivência tácito foi estabelecido, significando que todos abririam mão da auto-suficiência em nome da total interdependência entre os membros da comunidade para o fornecimento recíproco dos serviços e produtos que seriam ofertados no mercado assim formado, então a partir daí não seria mais necessário o indivíduo construir o seu próprio abrigo, confeccionar as suas roupas, suas ferramentas, suas armas, caçar, pescar, plantar, colher, cuidar das doenças, tudo isto passou a ser ofertado pelo mercado, e compartilhado pela sociedade através do sistema de trocas ou remuneração ao prestador de serviço e de produtos, graças à divisão assimétrica do trabalho social.

O problema passou a ser: quem ficaria com a melhor parte desta divisão assimétrica do trabalho social?

Para responder esta pergunta é preciso estabelecer dois eixos de investigação: o primeiro apoiado na teoria do conflito, onde cabe a hipótese ou teoria hobbesiana que é o critério da lei do mais forte, e no segundo eixo caberiam as outras hipóteses contratualistas a partir de Rousseau, Montesquieu e seus seguidores legalistas tal qual Hegel e Kelsen que defendem o marco fundador do estado baseado em interesses recíprocos dos indivíduos em estabelecerem regras comuns de convivência social sobre as quais se fundaria o estado de direito.

John Locke construiu uma variante do pensamento de Hobbes apenas diferindo deste na definição do que seria o estado primitivo pré-contratual onde a propriedade privada seria criada a partir do acúmulo da poupança advinda do trabalho; então, o processo de criação do pacto fundador da sociedade e do estado nacional seria apenas para garantir o usufruto dessa propriedade. Nesta variante lockeana, novamente o societarismo questiona a antecedência da formação da demanda por um pacto de convivência o qual surge posteriormente à formação e da constituição da comunidade onde presumivelmente alguma forma de divisão de tarefas e do trabalho social já existiriam, daquela forma e condições já relatadas anteriormente neste capítulo.

John Locke também não resolveu o problema da organização do trabalho e da remoção dos obstáculos para o desenvolvimento da vida comunitária, impossível sem a divisão assimétrica do trabalho social, por um motivo muito simples: sem a divisão assimétrica de trabalho e de tarefas não sobraria tempo para formação patrimônio, para filosofar, para pensar, para criar e para pensar sobre o pensamento, o ônus das multitarefas levariam o indivíduo ao nomadismo tal qual vivem os indígenas na América do Sul em núcleos fragmentados sem estrutura social extensiva e permanente.

Jean-Jacques Rousseau, nascido em 28 de junho de 1712 em Genebra, foi um dos mais célebres pensadores sobre as origens da sociedade e do estado, tendo sido o mais pessimista em relação à sociedade, ao contrário de Hobbes, via, no estado de natureza do homem no período anterior ao da formação da sociedade, um ser puro e íntegro, que foi degenerado pelo convívio social, corrompido pelo processo de acumulação de riquezas e pelo desejo de ser proprietário.

Segundo Rousseau a sociabilidade do homem não é uma habilidade ou característica natural, o estado da natureza caracteriza-se pela suficiência do instinto selvagem, ao contrário, o estado de sociedade caracteriza-se pela suficiência da razão iluminista, positivista.

O homem natural é amoral, não compreende vícios nem virtudes, não precisa da sociedade. O princípio da sociedade e dos vícios surgiu com a posse de bens, ou seja, quando foi declarada a primeira propriedade privada.

Portanto, a desigualdade é quase nula no estado da natureza selvagem do homem, as desigualdades resultam da sociedade e das interações sociais, quando se fala em sociedade fala-se em desigualdade, segundo Rousseau.

Para Robert Mitchels quando se fala em organização fala-se em hierarquia, quando se fala em hierarquia fala-se em diferenciação social, fala-se em privilégios, portanto, fala-se em elites: não pode haver democracia num sistema organizado, para Rousseau, não poderá haver democracia fora do estado selvagem, ou seja, a sociedade é imanentemente antidemocrática. Da vida social nasceram: a riqueza, a beleza ou lascívia, a dominação, a servidão, a paixão romantizada.

Da propriedade surgiu a necessidade de cooperação, a princípio, eventual, depois de curto e médio alcance, depois de longo prazo que ensejou a construção da sociedade, do seu sistema de divisão assimétrica de tarefas e do trabalho social, e do pacto social.

O paradoxo Rousseauniano consiste na negação do princípio de Mandeville onde este último defende a lógica da razão individual à despeito da racionalidade coletiva onde a racionalidade coletiva resulta da somatória das lógicas individuais, necessariamente, neste caso rousseauniano a lógica individual conspira contra a sociedade orgânica e sobrevaloriza o individualismo, tornando a resultante da agregação das racionalidades individuais um processo irracional.

Para negar o princípio da racionalidade mandeviliana Rousseau nega qualquer racionalidade derivada do individualismo da sociedade, pois o homem somente seria racional fora da sociedade, segundo o princípio de que as desigualdades sociais não guardam qualquer relação com as habilidades individuais que diferenciariam os indivíduos, quer dizer, não são as virtudes ou os vícios que criariam diferenciações sociais. As diferenciações sociais, segundo Rousseau, são virtualidades criadas pela e para a sociedade que é artificial e fictícia sem fundamento na natureza. "A desigualdade não é legítima do ponto de vista natural" .

Para Rousseau do marco fundador da sociedade representou a destruição do Éden no qual vivia o ser humano em contato com a natureza, não existe outra razão para a existência da sociedade senão para evitar-se um mal maior já que a vida social é contingente e inevitável.

Novamente em Rousseau a propriedade é chamada como um imperativo categórico central para a teoria do marco fundador do estado de direito através de um pacto social onde a natureza da garantia oferecida sobre a proteção do direito à propriedade pressupõe um momento anterior que foi o momento de construção deste patrimônio, cujo processo não é explicitado por Rousseau, como se fosse algo já dado. Novamente o societarismo encaixa-se nesta lacuna para explicitar a importância do processo de construção do patrimônio que se quer proteger através do pacto social, cuja formação deste patrimônio somente seria factível através do processo de divisão assimétrica do trabalho social e da divisão de tarefas.

Charles de Secondat Montesquieu, nascido em 1689 no Castelo de Le Brède, França, contribuiu neste debate sobre a construção do estado de direito democrático com a teoria da separação dos poderes, colocando uma pedra sobre algum laivo remanescente de absolutismo, onde a divisão das tarefas políticas era importante para que o poder ficasse transparente e equitativo, pudesse ser fiscalizado, avaliado, ratificado e retificado pela sociedade.

Portanto, anterior à construção da sociedade política formou-se a sociedade civil à qual a sociedade política, ou elite dirigente, serve como fórum organizador das relações de direito resultantes das interações sociais.

Antecedendo à formalização da sociedade civil a divisão das tarefas tomou forma no núcleo das clãs por contingência da aglutinação em aldeias dos grupamentos humanos multi-clãs os quais originaram as comunidades multifamiliares a partir da fixação sedentária da população e conseqüente organização social, construída mediante o pacto de divisão assimétrica do trabalho social, que antecederam a formação da sociedade civil e política.

Esta assimetria gerou e gera desigualdades e conflitos que devem e são administrados pelo sistema legal e pelos seus agentes dentro de formas diversas de governos e sistemas políticos os mais variados, da anarquia ao totalitarismo, passando por toda a gama de tipologia de sistemas e processos diferenciados de escolha dos representantes políticos, desde a eleição até o critério da hereditariedade, todos estes sistemas de composição e de representação de poder foram incorporados à cultura das sociedades em todos os recantos do mundo ao longo do tempo histórico.

A divisão assimétrica do trabalho social também é uma divisão de privilégios e de status na sociedade, e este estágio deu origem a novos desafios às organizações criadas para exercerem o poder de controlar estes conflitos na sociedade.

Teoria do conglobado

Sobre este particular a teoria sobre o conglobado reflete a preocupação na organização das forças dirigentes e hegemônicas do sistema econômico que hoje estão em ebulição por causa da mudança no eixo condutor da sociedade que desloca-se visivelmente do setor político para os setores econômicos.

Nem sempre foi assim. Já vimos na história da humanidade a hegemonia da religião, da nobreza, das forças armadas e agora assiste-se o momento cuminante dos vencedores da Revolução Francesa de 1789: os burgueses completaram o processo de tomada do poder na sociedade, com o completo afastamento da nobreza, da igreja e dos militares.

Neste momento trava-se uma disputa intra-elite entre as burguesias comercial, financeira, industrial e agrária pelo controle do poder político e econômico.

O povo passou de ator, neste processo, a espectador. No congloblalismo não existem papéis reservados para agentes solitários, independentes. Os sujeitos são coletivos e estruturam-se através da coesão fornecida pelo interesse de grupo, não é o lucro suficiente para coalescer a unidade intrínseca dos conglobados. É necessário estudar e compreender a dinâmica e a importância política das ações dos conglobados.

Para contrapor-se aos conglobados os indivíduos devem utilizar da mesma forma de organização dos conglobados, reunirem-se em formas conglobadas de representação, isto é: através de sujeitos coletivos, quer seja através de associações, sindicatos, clubes, ONG's, institutos e outras formas coletivas de representação de interesses. Aquela forma de representação de interesses através da representação indireta parlamentar não mais representa ser confiável pois que o processo de escolha destes representantes está contaminado pelo enorme poder econômico dos conglobados que manipulam e formatam as preferência dos eleitores e impedem que candidaturas legítimas consigam incorporar-se ao processo eleitoral em condições de disputar de forma equipotente o acesso aos cargos eletivos em todos os níveis de representação política contra os representantes dos conglobados.

Já que foi desvendado o verdadeiro objetivo deste processo de conglobamento resta estabelecer o plano de luta que deve passar pela mudança cultural, onde as grandes religiões cristãs e budistas que apoiam-se no individualismo nas suas pregações pela busca da salvação individual da alma e na busca do aperfeiçoamento individual, já não estão mais sintonizados na direção desta mudança na cultura do individualismo da sociedade liberal para uma nova cultura solidária, por isto constituem os maiores obstáculos para uma mudança de atitude que acabará por ensejar a eliminação da sociedade individualista pelos conglobados econômicos justamente por causa da miopia trazida pelo individualismo metodológico imanente à estas culturas.



Resumo:



a) Categorias analíticas



Conglobado – Resulta na aglomeração de entidades jurídicas com o fim de fortalecer sua posição no mercado econômico e político quer seja através de fusões de empresas quer seja através de incorporações de empresas e empreendimentos temporariamente.

Congloblaismo – tipo de organização econômica onde as empresas em número reduzido delas hegemonizam o cenário econômico regional e transnacional, para obter vantagens em escala e para hegemonizarem as demandas no mercado através do controle oligopolístico da oferta de bens, serviços e oportunidades de consumo.

Societarismo – define um tipo de organização da sociedade civil em grupos multidisciplinares, multiculturais, multiraciais, voltados para algum interesse comum para disputar seu espaço na arena política e econômica frente aos conglobados, com o objetivo de obter este reconhecimento de sua importância e força política e econômica, organizados através do fortalecimento de sua coesão interna orgânica fundado no altruísmo de seus participantes.

Círculo societário – partes daquilo que forma o sistema de organização do societarismo substantivo concreto.

Divisão assimétrica do trabalho social – faz parte da estrutura da sociedade a divisão do trabalho social, vale dizer, das funções e papéis sociais que cada indivíduo se atribui dentro do sistema socioeconômico e cultural onde cada uma destas funções e papéis corresponde a sua capacidade ou as suas oportunidades de reposicionamento dentro do sistema social onde o indivíduo participa e dele obtém a recompensa pelo seu desempenho e participação de acordo com o seu status no sistema social de modo diferenciado.

Coesão – é o conjunto de crenças, normas, regras, procedimentos e expectativas que mantém o sistema funcionando e coalesce os indivíduos participantes do sistema social de modo funcionalmente organizado e produtivo.

Fator limitante - é aquele dentre os fatores imprescindíveis à vida o que existir em menor oferta, limitando o desenvolvimento ou a sobrevivência da população severamente, quando escasso, e sem o qual a população fica ameaçada de desaparecimento mesmo que abundem os demais fatores necessários à sobrevivência.

Massa crítica – è a quantidade limite mínima a partir da qual o início de um evento ou fenômeno se torna inevitável, tornando-se o ponto de ruptura de um processo a partir do qual ele é desencadeado.

Efeito grupo – quando uma massa de indivíduos ou partes vivas ou inanimadas atinge determinado volume ou quantidade tal que a soma das partes supera o efeito delas somadas, na chamada sinergia.

Efeito sistema – quando uma massa de indivíduos ou partes vivas ou inanimadas no momento que agem em conjunto formam uma nova categoria de objeto com características distintas de suas partes componentes tomadas isoladamente, de modo quase irreconhecível, de modo que a decomposição das partes nem sempre torna inteligível a compreensão do todo.



b) As linhas mestras da ideologia do societarismo pode ser assim descritas:

• fidelidade ao círculo sistêmico ao qual está filiado;

• submissão dos interesses individuais à vontade da maioria e o acatamento da vontade majoritária;

• dirigir os pensamentos e ações em harmonia com a comunidade, visando o bem-comum e a cooperação mútuas;

• procurar enquadrar-se nos círculos sistêmicos que lhes sejam afins, para poder cooperar e extrair destes auto-estímulo e confiança;

• cuidar para que as leis e as normas sejam respeitadas; o mesmo também com relação à hierarquia, seja em que grau for;

• objetivo central do conglobado é o poder, e o societarismo o instrumento melhor para rivaliza-lo;

• societarismo não é somente força-bruta;

• societarismo não é ideologia;

• societarismo não é um fim;

• societarismo não se auto-regula;

• societarismo não é auto-suficiente;

• societarismo não é só busca hedonista;

• societarismo não é só poder;

• poder é a capacidade de impor a vontade, sem restrições;

• poder é capacidade de despertar temor;

• altruísmo não é simplesmente um sentimento abstrato e enlevado, é antes em meio de produzir a cooperação;

• a cooperação é um método de exponenciação dos esforços individuais;

• societarismo é um aglomerado de pessoas com uma ideologia, e um elo de coesão forjado no altruísmo e hierarquia;

• a hierarquia é o meio ordenado de compartilhamento do poder;

• a anarquia é uma deformação da hierarquia onde todos os níveis hierárquicos tem o mesmo grau;

• societarismo privilegia o coletivo;

• societarismo tem o sentido plural;

• societarismo abomina a desordem: prefere a legalidade à justiça;

• poder não se doa nem se recebe: ou se herda ou se conquista;

• poder é auto-suficiente;

• poder é indivisível: compartilha-se pela hierarquia;

• poder permeia todas as relações sociais;

• a liderança é antes de tudo um método centralizado de comunicação;

• a coesão é o meio de obter a subordinação hierárquica;

• a ideologia provoca e mantém a coesão no societarismo de forma duradoura e eficiente;

• a justiça é um meio dos cidadãos exercerem o seu poder dentro das normas legais do sistema, através da atuação de seus instrumentos institucionais específicos;

• a ordem é a base para o exercício pleno da hierarquia;

• processo de acumulação do conhecimento é um esforço debitado ao sistema para exponenciar a capacidade humana de realizações;

• a divisão assimétrica do trabalho social é o fator de eficiência do societarismo: as máquinas exponenciam o esforço humano multiplicando a massa crítica pelo número de pessoas que ela seja capaz de substituir assim como o conhecimento também é um fator exponenciador do trabalho;

• círculo societário é o responsável pela acumulação, pela transferência e propagação do conhecimento;

• poder pertence ao líder que deve compartilhá-lo através da hierarquia, de acordo com o nível hierárquico;

• poder é inerente e imanente ao ser humano;

• societarismo é escravo das leis e das normas;

• a escravidão é a negação da natureza humana;

• círculo societário cresce quando os seus membros progridem;

• a força do societarismo está na coesão de seus membros;

• a ideologia deve ser, antes de tudo, fator de coesão do societarismo;

• a coesão é o cimento do societarismo: sem ela não há;

• societarismo tem a prerrogativa da força bruta, que vem do poder, para manter a ordem e garantir a tranqüilidade através da ideologia e da hierarquia;

• poder é indivisível, porém deve ser compartilhado a bem da tranqüilidade do círculo societário;

• poder é atemporal, invisível, transcendente, perene, autojustificável, basta-se a si mesmo;

• societarismo é o amálgama das tendências totalitaristas do poder com a necessidade de compartilhamento do poder através da hierarquia.







Sistemismo: Capítulo XXVII

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

CAPÍTULO - XXVII
























PATERNALISMOS E AMBIÇÕES PESSOAIS: DOENÇAS INFANTIS DA POLÍTICA



















PATERNALISMOS E AMBIÇÕES PESSOAIS: DOENÇAS INFANTIS DA POLÍTICA





















Entre os aspectos considerados na distribuição do poder no societarismo alguns destacam-se pela persistência quase folclórica de suas limitações.

o autor

Paternalismos e Ambições Pessoais: Doenças Infantis da Política



A maior inimiga do altruísmo é certamente a ambição pessoal que a tudo sacrifica em função do imediatismo, que não consegue adiar a retirada do lucro do investimento realizado, ou sacrifica o futuro em troca do poder imediato, tanto quanto o paternalismo exercido por quem detém o poder: este é o mal que corrói a teia social pela sua natureza discricionária.

Para entender como funciona esta bomba devastadora para o societarismo lembra-se que os marginais e os migrantes garantem ganhos imediatos porquê as sanções sociais não os alcançam, já o paternalismo, que distingue uma pessoa do restante, quebra a expectativa de equidade e de justiça, e é difícil de remover os seus efeitos retardados para a cultura da sociedade principalmente quando a minoria é a parte desprezada da sociedade, pouco se pode fazer porquê trata-se de uma falha sistêmica, sendo positiva ou negativa esta discriminação cria privilégios e frustrações para ambos os lados respectivamente os não contemplados e os distinguidos pela ação paternalista.

Destacar um indivíduo seja de modo legítimo ou ilegítimo em nada estimula a cooperação voluntária entre o grupo, não parece lógico ter poucos sucessos e muitos fracassos, mas os nossos administradores continuam insistindo nesta fonte de insatisfação sistêmica com o objetivo de obterem resultados através da estimulação desta prática onde o que sobra ao final é muita frustração, uma sociedade dividida, então é preciso redistribuir atenções especiais de forma também discricionária para contentar e compensar aqueles insatisfeitos preteridos com a discriminação da ação paternalista anterior.

Até quando pode o ser humano suportar ver fracassarem repetidamente as tentativas de resolver os problemas de distribuição desigual de favorecimentos na expectativa de reequilibrar a distribuição de poder sem critérios legítimos e aceitos pela sociedade?

Alguns fingem não se importar com o problema, outros fingem que não necessitam de ajuda, outros precatando-se da frustração de não serem contemplados aceitam a condição de perdedores, outros atiram-se totalmente ao desejo de verem atendidos os seus desejos, e ao final todos ficam sabendo quem é quem, então neste estágio está sedimentada a dissensão interna, cristalizam-se as posições hierárquicas em um patamar em que as regras de acesso passam a ser de tipo discricionário, a cooperação transforma-se em competição, e numa competição o que conta é o resultado, ou seja, ou se faz o melhor ou se trabalha para os outros fracassarem, então, como sabemos o objetivo da competição pode fracassar duplamente.

O paternalismo é uma violência pois mesmo privilegiando o melhor não ajuda no estabelecimento e no fortalecimento da prática da cooperação entre os membros da sociedade, o paternalismo também destrói as ambições ou pode atiçá-las perigosamente quando se vê estimulada, relativizando a fronteira entre o legal e o ilegal, não deixando outras opções aos não-contemplados pelo apadrinhamento que a resistência ou o alheiamento, de qualquer forma uma luta aberta e desigual do indivíduo contra o sistema seria irracional, ou alternativa do enfrentamento do sistema pelo indivíduo por meio de uma escaramuça sem sair a campo aberto para terçar as armas o combate torna-se-ia irresoluto: nem o mais forte pode valer-se de suas melhores armas e táticas, nem o mais fraco consegue derrota-lo, o que torna esta disputa irracional.



Sistemismo: Capítulo XXVI

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

CAPÍTULO - XXVI
























O CONGLOBADO AO NÍVEL MICRO



















O CONGLOBADO AO NÍVEL MICRO





















Ninguém vive no planeta terra, ou num país, ou num estado, ou numa cidade. As interações sociais e políticas de maior impacto ou de impacto imediato dão-se no trabalho, na escola, na rua, no lar, no clube, na igreja, por isto destaca-se a importância destas instituições do conglobado ao nível micro.

o autor

O Conglobado ao Nível Micro



O micro-sistema social é tão importante para o indivíduo quanto os municípios o são para o conjunto de bairros pertencentes à sua área, como estado é importante para o conjunto de municípios de sua área, como o país é importante para os estados federados, porque as interações se dão de forma direta nesta relação próxima, os membros percebem o impacto imediato de suas ações, onde as facilidades e as dificuldades são função direta do tamanho, da concentração e da eficiência do micro-sistema local, é ali também que se faz sentir das lideranças locais diretamente os efeitos de suas decisões e não-decisões.

Somente dentro do micro-sistema é que as sanções sociais fazem efeito, os resultados das interações sociais são imediatos e visíveis, e as abstenções e omissões são percebidas, onde o anonimato não faz sentido a não ser como sanção social, os erros ficam logo evidentes e as disputas muito mais acirradas, as posições sociais são bem estruturadas, mas subjacente a esta acomodação existe a estrutura complexa de poder, então as pessoas procuram organizar-se de modo a aproximarem-se dos líderes que lhe pareçam mais promissores na expectativa de escalarem a hierarquia social e política.

A circunstância da regionalização do micro-sistema elimina as barreiras e degraus entre a base hierárquica e o líder, esta proximidade com o poder excita a ambição, torna este relacionamento mais informal, o que implica em dificuldade da aplicação do princípio da impessoalidade e da universalidade, que são quase uma utopia, ou hipocrisia, ou exigem muita audácia, em compensação a maior proximidade também facilita a obtenção de solidariedade e cooperação, agilidade e velocidade para ajustar e corrigir os erros no processo administrativo.

O altruísmo encontra no micro-sistema campo propício, bastando um catalisador para tornar a ações individuais e isoladas em coordenados movimentos sincronizados; existe uma forte tendência para repelir os aventureiros, mas também sobre um intruso podem refluir sonhos adormecidos que facilmente projetam-se sobre promessas vindas de algum momento do passado sobre este desconhecido, cuja folha corrida desconhecida é como um papel em branco que aceita tudo que se escreve nele, este passado desconhecido pode ser reconstruído pelo desejo inconsciente da mente de quem quer ver realizados os desejos impossíveis, e até que o pretendente deixe transparecer o seu verdadeiro projeto e frustrar aqueles que transferiram-lhe as suas frustrações e desejos não realizados e a realidade venha acorda-los e acabe por sacudi-los trazendo-os de volta à realidade, então novas frustrações irão somar-se àquelas para aqueles que optaram pela saída fácil e ingênua, de acreditarem nos doubles de salvadores e profetas dos sonhos.

Quando o nível de altruísmo do micro-sistema é elevado as resistências aumentam contra estes impostores, protegendo-o de romper este estado, quer pela resistência elevada à aceitação de novos membros, quer pela sanção social que cai pesadamente contra aqueles que traem esta confiança e para aqueles também que não compartilham desta solidariedade.

Existe no micro-sistema uma tendência natural de compartilhamento de poder em direção à homogenização da comunidade em todos os aspectos: sociais, econômicos, étnicos, políticos, intelectual, religioso e cultural, isto é, conduz à busca do equilíbrio perfeito na homogeneidade.



Sistemismo: Capítulo XXV

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

CAPÍTULO - XXV
























INTERPRETAÇÕES COGNITIVAS SOBRE O SOCIETARISMO



















INTERPRETAÇÕES COGNITIVAS SOBRE O SOCIETARISMO





















Este livro que é um passaporte para a polêmica cujos ingredientes estão neste ensaio, principalmente em alguns capítulos em especial onde é possível descordar disto ou daquilo mas nunca ficar indiferente à estas idéias.

o autor

Interpretações Cognitivas Sobre o Societarismo



Algumas observações sobre possíveis interpretações não desejadas sobre o societarismo são convenientes para a interpretação deste ensaio.

Em primeiro lugar o societarismo não é um produto acabado, pois que não é um fim em si mesmo, é um dos meios de alcançar o poder, mesmo não sendo auto-suficiente e nem autojustável, mesmo tendo surgido em vários lugares e culturas, por estes motivos pode e deve apresentar-se com aspectos variados: uns mais adequados à cultura, outros mais eficientes, outros verdadeiros desastres, quer nos aspectos estruturais, quer nos aspectos operacionais, ou de ambos os aspectos.

A idéia do ensaio sobre o societarismo é tentar descobrir na História da civilização os elementos estruturais para reestruturar e aperfeiçoar o sistema social e político, pois que se a competição existe em lugar da cooperação é porque o poder está distribuído de forma não criteriosa, produzindo os seus efeitos amplificados pelo efeito grupo, além disto, o faccionamento do mundo em continentes, países, línguas, religiões e culturas já seriam obstáculos consideráveis às idéias de globalização e sistemas globais.

O societarismo não preconiza a homogenização e nem a massificação, ao contrário, valoriza a diferenciação como método de aglutinação por estratificação multifiliada, valorizando o diferente através do incentivo à que os diferentes organizem-se e estimulem-se mutuamente para serem vistos e sentirem-se mais fortalecidos e respeitados como força dentro do sistema social, para terem uma voz única que possa ser ouvida pelo restante do sistema social através de uma liderança credenciada que valorize as suas demandas pelo seu locutor legítimo: a isto chama-se concentração pela base.

O societarismo não prega a distribuição pura e simples do poder, paradoxalmente, o fato de admitir que o poder não se doa e nem se recebe como dádiva, mais sim que se o conquiste, ao mesmo tempo em que o societarismo alerta que o não compartilhamento do poder põe em risco o sistema social e político.

O que está na síntese do silogismo é que seja feito o esforço institucional para que todos tenham chances e oportunidades abertas para acessarem o poder dentro de regras justas e equânimes pois, na verdade, não se distribui o que está concentrado, é muito difícil, e é impossível faze-lo sem utilizar-se do recurso da violência, por isto a estrutura societarista deve prevenir esta situação precatando-se da acumulação de poder que enseja a formação de elites, ao contrário, devem ser incentivadas a formação de consórcio, cooperativas, condomínios, clubes, associações, sindicatos e outras formas sistêmicas de associação.

O societarismo é aberto para o ingresso e o recesso de membros que não devem ser constrangidos a adesão por nenhum argumento do tipo que viole a vontade soberana das pessoas, cujo poder deve ser resguardado da perda de autonomia exceto para cumprir sanções legais dentro de leis e normas bem definidas e claras, sejam elas escritas ou costumeiras.

O predomínio do coletivo sobre o individual deve ser o fator de sucesso de cada empreendimento e nunca uma obrigação coercitiva que atropele a autodeterminação uma vez que a cooperação depende do altruísmo cuja construção coletiva que pode custar uma ou mais gerações para ser construído pela comunidade para fazer parte integrante dos valores da cultura, assim não será encarado como uma obrigação mas como um hábito natural facilmente incorporado embora as vezes inexplicado.





















Sistemismo: Capítulo XXIV

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

CAPÍTULO - XXIV







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A ADMINISTRAÇÃO SOCIETARISTA



















A ADMINISTRAÇÃO SOCIETARISTA





















A administração societarista deve caminhar na direção da cooperação tendo como meta a coesão construída na ideologia do coletivo que se sobrepõe ao particular e individual, do público sobrestando o privado.

o autor

A Administração Societarista



A administração societarista deve ter como meta a garantia da manutenção do funcionamento em ordem do sistema social para que o objetivo do conglobado com relação a meta de poder seja alcançado pela via pacífica e justa, cabendo à administração assim se conduzindo exercer a liderança sistêmica pautada pelas normas e pela observação estreita da hierarquia, para isto ela utiliza-se das técnicas e de procedimentos mais convenientes e mais compatíveis com a cultura e ideologia do sistema social na qual ela está inserida, se desenvolve e atua.

Não é preciso ensinar aos administradores o seu ofício, pois muito já se escreveu sobre a matéria, teoria e prática andam juntas e convergem quando os princípios fundamentais de controle com relação ao quesito distribuição de poder via linha hierárquica sejam observados, estes critérios são: altruísmo, eqüanimidade, equidade, legalidade e justiça. A justiça deve ser entendida como legitimidade para aplicar as normas, regras e procedimentos de conduta que fazem parte das expectativas culturais e éticas da sociedade, pois que não é culpa do judiciário se as regras são imperfeitas, isto é da competência de outra instituição deliberar pois a ninguém deve ser dado o direito de descumprir o estabelecido pelo contrato social tácito e formal a que todos estamos sujeitos. Este é o princípio da ordem, pois todo sistema abomina a desordem, a qual quando é tolerada destrói as bases subjetivas do sistema social e político, consequentemente redistribui a cota de poder na qual está estruturada o sistema social, aniquilando aquilo que é o seu bem mais caro, a coesão.

Quanto ao altruísmo o administrador dispõe de muitos recursos para motivar a sua manifestação para assim obter a colaboração e a cooperação entre os membros do sistema, seja induzido ou expontâneo muito se pode fazer pelo estímulo dos padrões de comportamento altruísticos, através de incentivos à sociabilidade e também do assistencialismo paternalista, com iniciativas como estas fortalece-se a confiança ao mesmo tempo que se cria uma interdependência entre os membros e a sociedade o que completa o círculo de integração entre o membro e a organização, entre o membro e a sua família que é trazida para este processo de integração com a empresa.

Todos devem ser integrados, para isto um programa de acesso e de carreira para os postos mais importantes deve ser honesto o bastante para que todos sintam que de fato estão gradualmente progredindo e aumentando o seu poder e prestígio na empresa de modo firme, seguro, correto, reconhecido e justo.

Uma vez garantida esta tranqüilidade a coesão fica mantida por longo prazo, para isto concretizar-se o primeiro passo é cuidar para que a doutrinação ideológica atinja a todos na empresa e contamine todo o sistema, o que for mais específico em cada caso em primeiro lugar, pois o importante e crucial é que a atitude de cooperação seja introjetada em cada indivíduo e que cada um perceba as vantagens neste método de trabalho no qual os esforços se somam e todos se complementem.

Deve o administrador cuidar para que não se valorize os expoentes, as atitudes heróicas e geniais devem ser desincentivadas, pois prejudicam mais do que ajudam a manter a coesão, mesmo porque um indivíduo assim agindo revela uma desigualdade tal que o grupo ou a empresa passa a depender criticamente deste ou de outros heróis, o que a deixa muito vulnerável, além disto, por melhor que seja um empregado ele jamais substituirá a todos, ao contrário, acaba criando ressentimentos, inveja, tensão e complexo de inferioridade nos demais: não vale a pena, é melhor aproveita-lo em outra função menos visível ou menos importante e mais discreta, ou livrar-se dele, pois a empresa ou o grupo como um todo pouco ganha com atitudes de incentivo à quebra da cooperação, é um verdadeiro desastre para o societarismo.

O mesmo deve ser feito àqueles que recusam-se ao entrosamento, os individualistas crônicos, os que têm problema ou constantemente desajustam-se no trabalho em grupo: individualismo e heroísmo não combinam com societarismo, pois a realidade societarista exige pessoas especializadas, versáteis e cooperativas, pois as atividades humanas estão cada vez tão complexas que é impossível para uma única pessoa carregar sozinha algum projeto de alta tecnologia, basta lembrar que um pequeno chip é capaz de conter mais de um bilhão microcomponentes no único circuito, o que é impossível para um ser humano mesmo genial projeta-lo, calcula-lo e construi-lo sozinho, não teria sequer tempo para faze-lo durante sua curta vida, para isto é preciso a concorrência de muitos peritos e de muitas horas de computador apesar de um bom engenheiro saber como calcular cada parte dele sem dificuldade, no que diz respeito aos conhecimentos científicos demandados para esta empreitada serem de seu inteiro domínio intelectual e técnico, como se sabe, o projeto de uma aeronave ou de um navio pode levar mais de dez anos e consumir mais de um trilhão de cálculos matemáticos.

Para criar o ambiente propício à cooperação e sepultar de vez o individualismo o treinamento e a avaliação de desempenho individuais devem prever um peso para o desempenho global, ou coletivo para que o progresso do grupo seja mais importante do que o progresso individual, ou equivalente a ele, com este parâmetro a administração poderá acompanhar o desempenho global com o mesmo empenho com que cada um zela pelo seu desempenho individual, afinal, o que interessa para o administrador e para o sistema social é que o produto final do sistema esteja dentro dos padrões esperados, e não quem o fez ou como o fez, e para que isto aconteça nada melhor do que garantir a tranqüilidade no processo de desenvolvimento das atividades dentro da empresa e o sistema social, afinal, altas taxas de produtividade individuais jamais estimularam os companheiros a produzirem mais do que eles podem ou desejem faze-lo, e ao tentarem podem acabar frustrando-se, e neste processo de autojustificação a saída pode ser a hostilidade, inveja e despeito, e isto, convenhamos, não é cooperação, não gera sinergia e não aumenta a produção social.


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Sistemismo: Capítulo XXIII

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

CAPÍTULO - XXIII
























MARX E O CONGLOBADO



















MARX E O CONGLOBADO





















O fim da competição entre as empresas encerraria o corolário do capitalismo, mas pode ser também início de uma nova era de cooperação e de integração entre as instituições, o que não significa o fim do capitalismo, poderá ser mais uma metamorfose deste sistema econômico, como tantas outras por que já passou e sofreu.

o autor

Marx e o Conglobado



As empresas caminham em todo o mundo para um agigantamento que deixa sem previsão o futuro do mercado de cunho liberal tal o seu poder potencial e latente de autodestruição pela competição acabando com a diversidade, quer seja através de fusões, incorporações e associações, mas isto fora previsto por Karl Heinrich Marx um século e meio atrás, o que Marx não previra fora o sucesso de uma variante reformulada deste processo.

O objetivo destas transações é o aumento do poder destes conglobados, e só há um obstáculo neste processo que é o próprio Estado, que procura através de leis severas e de ações legais adiar este desfecho indesejado, onde o resultado final seria a sua autoridade política desafiada por estes gigantes transnacionais.

O pensamento socialista foi sendo acumulado nos anos anteriores ao nascimento de Marx, em 1818 em Trier na Alemanha, onde muitos pensadores pré-marxistas aplainaram o caminho do socialismo hoje conhecidos como pré-socialistas.

Para o pré-socialista Babeuf todos os homens nascem iguais, portanto, devem viver em igualdade porque a desigualdade acaba por oprimir os pobres ou plebeus em detrimento dos ricos e dos patrícios; no capitalismo existe uma guerra declarada entre ricos e pobres, patrícios e pebleus que impede a felicidade geral.

Para Babeuf a sorte de cada homem não piorou porque passou a viver em sociedade ao sair de seu estado de natureza. Para remediar esta deformação Babeuf defende o princípio de que a terra seja para todos.

A proposta de Sain Simon para equacionar o problema da qualidade do governo é criar o governo dos melhores, conforme proposta de Platão. Acredita que o conhecimento aperfeiçoa o cidadão e o prepara para a sociedade, e, mais ainda, para transformar a sociedade é permitido utilizar-se de meios pacíficos, os únicos que servem para construir e não para destruir.

Recorda Sismondi [1773 - 1842] que a civilização não sabia, à época, o que poderiam trazer-lhes os sistemas de organização social escravagista e feudalista, e ao superá-los passou a considerá-los como bárbaros, o mesmo poderiam dizer os nossos netos no futuro a respeito deste nosso sistema de trabalho assalariado: uma barbárie!

Do processo histórico que resultou da separação entre o trabalhador, a propriedade e o trabalho, fazendo surgir o proletariado, (nome cunhado na Itália para referir-se aos despossuídos que não pagavam o senso e que somente contribuíam para o aumento da população doando a sua prole, pois não trabalhavam), as conseqüências deste processo degenerativo da economia é o desaparecimento da classe dos médios e pequenos proprietários, restando apenas o grande capitalista e os que não possuem qualquer propriedade.

O desemprego aumentaria por causa da diminuição da demanda e por causa do aumento da automatização e mecanização manufatureira. Então, Sismondi cria o conceito da mais-valia definindo-o como o capital que pagaria o trabalho do operário que, dividido em duas partes, deixa a parte maior com o capitalista, e o trabalhador, que a produziu, apenas recebe o suficiente apenas para a sua sobrevivência. Esta fração maior embolsada pelo capitalista ele chamou mais-valia.

Charles Fourier [1772 - 1837], chama a nova sociedade industrializada de novo feudalismo, que tende a estabelecer um sistema de oligopólio que acaba reduzindo o povo a pequenos proprietários, resultante da livre competição de mercado, criando uma nova escravidão industrial, graças a seu enorme capital com o qual o conglobado dita as leis do mercado em geral, forçando os médios e pequenos proprietários a suportarem os preços, as tarifas e as condições impostas por eles. De acordo com o princípio dos extremos que se tocam, na última fase da evolução da civilização, ela deve terminar como começou: pelo feudalismo.

Robert Owen [1771 - 1858], conhecedor profundo dos problemas sociais trazidos pelo processo de industrialização na Inglaterra, mostrou que o trabalhador produz mais quando possui melhores condições de trabalho, e, demonstrou que o pobre, miserável, quando abandonado às forças do mercado e à própria sorte, agrava a sua situação e quase sempre não consegue libertar-se dela sozinho.

Atribui-se a Pierre Leroux [1797 - 1871] a utilização pioneira do termo socialismo para distinguir-se do termo individualismo. Para ele sociedade não é a mera agregação de indivíduos aniquilando a individualidade de cada ser humano: isto seria pior. A sociedade não é o todo diante do nada do indivíduo, nem os cidadãos são súditos da sociedade. Para ele, a sociedade não é um animal grande cujas moléculas, partes e membros seríamos nós, uns a cabeça, outros o estômago e os demais os pés, as mãos, as unhas, os cabelos, isto tenderia a embrutecer-nos, a imobilizar-nos e levar-nos ao despotismo. Na sociedade liberal só uns poucos podem gozá-la, por isso o egoísmo destrói a sociedade. O socialismo propõe que para se ter liberdade é preciso primeiro a igualdade.

Pierre Joseph Proudhon [1809 - 1865] autor da famosa frase "Toda propriedade é um roubo" inspirada na frase de Brissot de Warwille [1780-]"A propriedade exclusiva é um roubo à natureza", recebeu admiração, a princípio, de Karl Marx, para depois merecer o seu desprezo. Proudhon antecipou o materialismo histórico, segundo o qual a história é um contínuo processo revolucionário e o homem o resultado deste processo em que a História segue em uma série de contradições. A reforma social não pode consistir na pura destruição ou superação numa síntese superior através de uma pretendida dialética, mas sim somente pelas próprias ações das forças sociais.

Karl Marx [1818 - 1883] foi o grande inspirador do comunismo internacional, introduzindo algumas categorias analíticas no paradigma revolucionário tais como os conceitos de: condições objetivas e subjetivas para a ação revolucionária, infra-estrutura e super-estrutura, materialismo dialético, lúmpem do proletariado, classe-em-si, classe-para-si, tendo estruturado o seu paradigma em torno do conceito do conflito que determina a luta de classes na sociedade.

Para solucionar o impasse criado pela luta de classes ele propõe que a propriedade coletiva devesse substituir a propriedade privada porque esta forma de propriedade era a razão de todas as anomias do sistema capitalista, portanto a raiz de todos os males da sociedade.

O entendimento ou o desentendimento desta diagnose e da prognose marxista provocou o surgimento de interpretações diversas deste pensador conhecidas por suas variantes e derivativos: maoísmo, titoísmo, leninismo, stalinismo, trotskismo, revisionismo, anarquismo, eurocomunismo, etc.

Eduard Bernstein compilou as obras de seus antecessores, também conhecidos como pré-socialistas ou utópicos, consolidando a corrente chamada revisionista por aqueles que julgavam que havia divergências nos objetivos e na praxis marxista na Europa do final do século XIX.

As contribuições mais importantes de Bernstein, além da sistematização que fez reunindo as idéias dos dissidentes da corrente revolucionária, foi a de basear as suas críticas sobre os erros das previsões de Karl Marx em sua diagnose para o capitalismo no estágio avançado de acumulação conglobada.

A impaciência de Bernstein sobre a não concretização das etapas de superações das contradições internas do processo dialético histórico do capitalismo avançado o fez prever o fracasso das previsões marxistas, causado pelos erros de diagnose no processo de acumulação do capital e do fenômeno da expropriação dos proletários, seguida da alienação da classe produtora, causando uma anomia no sistema econômico, provocando o estrangulamento do sistema: a conseqüência seria o fim do capitalismo. Contrariamente a Marx, Bernstein condenava a revolução para apressar este desenvolvimento, além disso, não acreditava em socialismo sem liberdade.

O que Bernstein observou foi o abrandamento das relações do capital com o trabalho, tornando-a mais humana, misturando interesses individuais, lucro e mercado livre com assistencialismo e bem-estar social. Por isto as táticas deveriam ser diferentes daquelas que Marx aconselhava diante de um cenário de exclusão e conflitos de interesses inconciliáveis que caracterizariam uma luta de classes, ao contrário, o que se viu foi um capitalismo diferente, que se reformou ou adaptou-se reativamente, ou evolutivamente, dependendo de quem faz o diagnóstico, a um processo de trégua ou de pacificação entre as duas classes e interesses dialeticamente opostas.

Grandes investimentos eram promovidos pelo próprio estado em favor do social, escolas públicas, legislação trabalhista paternalista, liberdade de associação sindical, redução das horas de trabalho obrigatório, hospitais públicos, investimentos diretos em infra-estrutura e produção de bens de produção e serviços pelas agências estatais, competindo e suplementando o setor privado.

Enfim, uma mistura de mercado, com a intervenção estatal: o mercado respeitando as diferenças socioeconômicas e lutando por reduzi-las ou ameniza-las, tanto com relação aos cidadãos quanto com relação às empresas entre si, com o objetivo de reduzir os efeitos perversos da competição capitalista em um mercado selvagem, dando uma dimensão moral e política ao mercado, certamente, o estado liberal tudo fez para que o vaticínio marxista sobre a crise final do capitalismo não se concretizasse, e o que vemos hoje é a volta do liberalismo sem estes abrandamentos uma vez que o perigo do expansionismo soviético deixou de representar uma ameaça política e social com o fim da ex-União Soviética, resultando em uma era de relações mercantilistas puramente centradas da produtividade, na economia de recursos e na lucratividade ilimitada pela busca incessante por mais eficácia e eficiência contábil em todos os setores, sejam públicos, sejam privados.

A política atual dos conglobados é a do crescimento, conquistas de novos mercados, eliminação ou neutralização da competição via eliminação ou absorção da concorrência e da legislação trabalhista e fiscal, numa linguagem quase de uma campanha militar. Não é sem propósito que os parlamentares sejam tão assediados por estes gigantes, todo espaço de poder tem de ser ocupado, e quando os poderes institucionais se vêm divididos e antagonizados por disputas entre si eles novamente e oportunisticamente investem para obter vantagens e avançar na conquista de espaço de poder.

Os executivos dos conglobados são doutrinados a serem apátridas, a sua nacionalidade é a sua empresa, eles devem aprender a reconhecer os seus verdadeiros inimigos, as barreiras legais, culturais, lingüísticas e nacionalistas que interpõe-se ao avanço dos conglobados, as quais devem ser removidas, para isto precisam cooptar os intelectuais, os políticos através da mudança na imagem dos conglobados que deve ser associada à pujança, desenvolvimento, modernidade, progresso, procurando obter o monopólio internacional da produção e comercialização, e da criação de produtos, serviços e necessidades que eles mesmos criaram para os consumidores e clientes, fechando assim o círculo vicioso necessidade-consumo.

O erro de Marx foi o de associar o estado aos interesses conglobados, ao contrário, a luta trava da pelo controle político entre os conglobados e o estado tem adiado o desfecho preconizado no marxismo, e os controles estatais só têm aumentado sobre o grau de liberdade de ação dos conglobados, porque a disputa situa-se na esfera do poder político, infra-estrutura, e não na esfera estrutural, econômica, que é apenas um meio de atingir o poder.

Ao criar a categoria ditadura do proletariado marx ditou o fim da única possibilidade do socialismo deixar de ser uma utopia, pois sem liberdade não há igualdade, e sem igualdade não há liberdade.

Se é verdade que toda propriedade privada é um roubo é porque o processo de acumulação capitalista começa pela expropriação do mais poderoso sobre o mais fraco, é somente através da distribuição de poder que se constrói a justiça social e política.