segunda-feira, 19 de setembro de 2011

SISTEMISMO E SOCIETARISMO

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

Instrumentos Políticos do Sistemismo

O sistemismo utiliza-se de alguns instrumentos para fazer funcionar eficazmente o sistema social, possibilitando consequentemente que os seus objetivos sejam plenamente atingidos. Alguns destes instrumentos não dispensam o poder de coerção e de coação, outros são normativos e administrativos, pois o sistemismo sendo um processo possui o seu método próprio.
Estes instrumentos já foram analisados e dissecados em capítulos anteriores desta obra, porém é preciso ressaltar que o processo de aperfeiçoamento está apenas começando, muita coisa há para ser feita, pois a dissecação do sistemismo e do societarismo está apenas começando, a partir deste instante é que se deve pensar os instrumentos específicos do sistemismo e do sistemismo centralizado, uma vez que a ideologia esteja consolidada e madura, o seu objetivo final esteja bem focalizado.
Estes instrumentos deverão ter uma forma diferente neste novo estágio, uma vez que este processo hesitante de consolidação tenha sido já superado, então já não haveria necessidade de agir com a cautela própria dos momentos iniciais de qualquer empreendimento pioneiro, então dá-se passos mais ousados no caminho da aceleração na direção da integração sistêmica, para que a nova geração não tenha que ensaiar os passos pioneiros num outro processo já superado, e se um outro meio mais eficiente para alcançar o poder for descoberto e formulado de modo racional, o sistemismo então será utilizado para acelerar esta mudança.
A mudança mais importante é cultural, representada pelo primado da ideologia, embora os instrumentos do sistemismo, já discutidos, estejam sendo revistos continuamente, a deficiência mais grave e a mais comum advém da dificuldade para lidar com as mudanças dos padrões culturais que ainda não ocorreram; a ausência de altruísmo.
Se as pessoas experimentarem por uma vez verificariam que no egoísmo predatório em longo prazo o resultado é o desastre sistêmico, não existe instrumento institucional capaz de detê-lo ou de revertê-lo sem a pré-disposição e a colaboração consentida, muitas comunidades têm experiências frustradas desta dura realidade, e muitas vezes desejam mudar esta situação porém falta-lhes a liderança legítima para coordenar esta mudança, e por não disporem-na, não entenderem ou por não conhecerem tais instrumentos procuram apelar para os seus próprios meios empiricistas, e desastradamente despendem tempo e recursos valiosos para obterem cooperação na direção da recuperação da unidade do sistema social abalado e desestruturado, principalmente quando constatam tardiamente que não conseguem executar os seus projetos cumuns sozinhos heroicamente por sua conta e risco.
É preciso saber que o sistemismo dispõe de tais instrumentos e não se deve hesitar em utilizá-los, isto é, em lugar de diminuir o prestígio do empreendedor, ao contrário, oferecer uma oportunidade singular a cada membro da comunidade de coparticipação da construção do sistema social e político, propiciando um compartilhamento do poder e das responsabilidades a ele inerente, além disto a exemplaridade desta experiência marcante da força do sistemismo estimula as pessoas a expandirem a todos os setores da vida social o processo de trabalho cooperativo, estabelecendo um novo marco nas relações entre o poder e a sociedade. É para isto que servem estes instrumentos.
Teorias do Sistemismo centralizado e do Societarismo

Os novos processos constitutivos desta nova sociedade e do novo sistema econômico neste ambiente de grande fusões e incorporações de empresas expressam-se através de duas novas teorias: uma sobre a sociedade e a outra sobre o sistema político-econômico.
A teoria sobre o sistemismo propõe-se a dar uma explicação, uma a mais, sobre a formação da sociedade humana por considerar insuficientes as teorias existentes quando aplicadas a este novo processo histórico e cultural da era pós-neoliberal.
Estas velhas teorias conhecidas que explicam o surgimento da sociedade constróem hipóteses teleológicas sobre a formação da sociedade humana em função de uma expectativa de justificação do processo político cultural que lhes abriga ou que lhes segue cronologicamente, as quais têm por objetivo a construção de um modelo do estado nacional, das formas e sistemas determinados de governo.
Assim, Thomas Hobbes, Jean Jacques Rousseau, Montesquieu, Hegel, entre outros construíram estas teorias que concorrem entre si pela primazia do estabelecimento do marco fundador da sociedade e das bases do estado nacional, e a estes se juntam agora as teorias do sistemismo e do societarismo centralizado.
Thomas Hobbes (1588-1679), filósofo inglês nascido em Westport, Wiltshire, publicou a sua obra mais famosa Leviatham (1651) onde nesta ele constrói uma hipótese sobre as origens da sociedade política e do pacto fundador da sociedade organizada em torno da única possibilidade que poderia retirar o homem de seu estado de natureza, expressão que Hobbes utilizou para representar uma situação em que sem qualquer forma de acordo entre os seres humanos todos estariam entregues à lei do mais forte, no que ele denominou de uma guerra de todos contra todos.
Somente um tirano poderia restabelecer a ordem geral que afastasse a ameaça permanente a que os indivíduos estão sujeitos no estado de natureza, para isto todos concordam que devam abrir mão e alienar o seu legítimo direito de defesa ao soberano em nome da construção da ordem legal absolutista que é adjudicada ao hegemom, para que este reine despoticamente sobre todos em nome da ordem e da paz.

Teoria do sistemismo
A crítica preliminar e suficiente que o sistemismo faz contra a hipótese hobbesiana é que esta teoria pressupõe a preexistência de um grupamento humano anterior ao estado de guerra de todos contra todos, uma vez que só existe disputa e conflito pela sobrevivência se existir anteriormente ao conflito uma arena constituída que engendre este conflito na população. Antecedendo a qualquer forma de disputa vem o instante da formação de uma colônia ou outra forma de aglomerado humano, sem o qual não haveria a arena para qualquer tipo de disputa.
A disputa representada pela guerra de todos contra todos é uma representação pictórica da divisão assimétrica de privilégios e status naquela proto-sociedade. Só é justificável haver disputas se houver diferenciação social e/ou escassez de algum fator limitante[1], tal como água, abrigo, alimento, propriedade de utensílios, e outros bens.
Admitindo-se que nesta proto-sociedade as diferenciações naturais, a aglomeração da massa crítica demográfica teriam induzido à especialização, presume-se que a primeira regra a ser estabelecida seria a regra da divisão de tarefas; a segunda regra social a ser estabelecida seria a da divisão assimétrica do trabalho social, em função primeiro das diferenciações das habilidades naturais, em segundo lugar em função da necessidade de prestígio e de riqueza, em terceiro lugar o imperativo da sobrevivência.
A primeiro critério naturalmente sugerido de divisão de tarefas seria aquele orientada pelo fator etário, justificado pela capacidade física e intelectual dos infantes e dos mais velhos; o outro seria o critério da divisão natural ditada pelo sexo, pelo menos em certos períodos e fases do ciclo reprodutivo relacionado aos cuidados da gestante e do nascituro, que inclui a amamentação e os cuidados com a segurança da prole no período imediatamente anterior e posterior ao parto até aquele instante em que alguma autonomia pode ser dada aos bebês em relação aos cuidados da infância.
O sistemismo credita a este momento histórico do início da divisão das tarefas e ao momento seguinte, o da divisão assimétrica do trabalho social, que se seguiu, o marco fundador da sociedade.
Para que o processo mais complexo da criação da sociedade, que é o momento em que a divisão assimétrica do trabalho social toma efeito, um pacto de sobrevivência tácito foi estabelecido, significando que todos abririam mão da auto-suficiência em nome da total interdependência entre os membros da comunidade para o fornecimento recíproco dos serviços e produtos que seriam ofertados no mercado assim formado, então a partir daí não seria mais necessário o indivíduo construir o seu próprio abrigo, confeccionar as suas roupas, suas ferramentas, suas armas, caçar, pescar, plantar, colher, cuidar das doenças, tudo isto passou a ser ofertado pelo mercado, e compartilhado pela sociedade através do sistema de trocas ou remuneração ao prestador de serviço e de produtos, graças à divisão assimétrica do trabalho social.
O problema passou a ser: quem ficaria com a melhor parte desta divisão assimétrica do trabalho social?
Para responder esta pergunta é preciso estabelecer dois eixos de investigação: o primeiro apoiado na teoria do conflito, onde cabe a hipótese ou teoria hobbesiana que é o critério da lei do mais forte, e no segundo eixo caberiam as outras hipóteses contratualistas a partir de Rousseau, Montesquieu e seus seguidores legalistas tal qual Hegel e Kelsen que defendem o marco fundador do estado baseado em interesses recíprocos dos indivíduos em estabelecerem regras comuns de convivência social sobre as quais se fundaria o estado de direito.
John Locke construiu uma variante do pensamento de Hobbes apenas diferindo deste na definição do que seria o estado primitivo pré-contratual onde a propriedade privada seria criada a partir do acúmulo da poupança advinda do trabalho; então, o processo de criação do pacto fundador da sociedade e do estado nacional seria apenas para garantir o usufruto dessa propriedade. Nesta variante lockeana, novamente o sistemismo questiona a antecedência da formação da demanda por um pacto de convivência o qual surge posteriormente à formação e da constituição da comunidade onde presumivelmente alguma forma de divisão de tarefas e do trabalho social já existiriam, daquela forma e condições já relatadas anteriormente neste capítulo.
John Locke também não resolveu o problema da organização do trabalho e da remoção dos obstáculos para o desenvolvimento da vida comunitária, impossível sem a divisão assimétrica do trabalho social, por um motivo muito simples: sem a divisão assimétrica de trabalho e de tarefas não sobraria tempo para formação do patrimônio, para filosofar, para pensar, para criar e para pensar sobre o pensamento, o ônus das multitarefas levariam o indivíduo ao nomadismo tal qual vivem os indígenas na América do Sul em núcleos fragmentados sem estrutura social extensiva e permanente.
Jean-Jacques Rousseau, nascido em 28 de junho de 1712 em Genebra, foi um dos mais célebres pensadores sobre as origens da sociedade e do estado, tendo sido o mais pessimista em relação à sociedade, ao contrário de Hobbes, via, no estado de natureza do homem no período anterior ao da formação da sociedade, um ser puro e íntegro, que foi degenerado pelo convívio social, corrompido pelo processo de acumulação de riquezas e pelo desejo de ser proprietário.
Segundo Rousseau a sociabilidade do homem não é uma habilidade ou característica natural, o estado da natureza caracteriza-se pela suficiência do instinto selvagem, ao contrário, o estado de sociedade caracteriza-se pela suficiência da razão iluminista, positivista.
O homem natural é amoral, não compreende vícios nem virtudes, não precisa da sociedade. O princípio da sociedade e dos vícios surgiu com a posse de bens, ou seja, quando foi declarada a primeira propriedade privada.
Portanto, a desigualdade é quase nula no estado da natureza selvagem do homem, as desigualdades resultam da sociedade e das interações sociais, quando se fala em sociedade fala-se em desigualdade, segundo Rousseau.
Para Robert Mitchels quando se fala em organização fala-se em hierarquia, quando se fala em hierarquia fala-se em diferenciação social, fala-se em privilégios, portanto, fala-se em elites: não pode haver democracia num sistema organizado, para Rousseau, não poderá haver democracia fora do estado selvagem, ou seja, a sociedade é imanentemente antidemocrática. Da vida social nasceram: a riqueza, a beleza ou lascívia, a dominação, a servidão, a paixão romantizada.
Da propriedade surgiu a necessidade de cooperação, a princípio, eventual, depois de curto e médio alcance, depois de longo prazo que ensejou a construção da sociedade, do seu sistema de divisão assimétrica de tarefas e do trabalho social, e do pacto social.
O paradoxo Rousseauniano consiste na negação do princípio de Mandeville onde este último defende a lógica da razão individual à despeito da racionalidade coletiva onde a racionalidade coletiva resulta da somatória das lógicas individuais, necessariamente, neste caso rousseauniano a lógica individual conspira contra a sociedade orgânica e sobrevaloriza o individualismo, tornando a resultante da agregação das racionalidades individuais um processo irracional.
Para negar o princípio da racionalidade mandeviliana Rousseau nega qualquer racionalidade derivada do individualismo da sociedade, pois o homem somente seria racional fora da sociedade, segundo o princípio de que as desigualdades sociais não guardam qualquer relação com as habilidades individuais que diferenciariam os indivíduos, quer dizer, não são as virtudes ou os vícios que criariam diferenciações sociais. As diferenciações sociais, segundo Rousseau, são virtualidades criadas pela e para a sociedade que é artificial e fictícia sem fundamento na natureza. "A desigualdade não é legítima do ponto de vista natural"[2].
Para Rousseau do marco fundador da sociedade representou a destruição do Éden no qual vivia o ser humano em contato com a natureza, não existe outra razão para a existência da sociedade senão para evitar-se um mal maior já que a vida social é contingente e inevitável.
Novamente em Rousseau a propriedade é chamada como um imperativo categórico central para a teoria do marco fundador do estado de direito através de um pacto social onde a natureza da garantia oferecida sobre a proteção do direito à propriedade pressupõe um momento anterior que foi o momento de construção deste patrimônio, cujo processo não é explicitado por Rousseau, como se fosse algo já dado. Novamente o sistemismo encaixa-se nesta lacuna para explicitar a importância do processo de construção do patrimônio que se quer proteger através do pacto social, cuja formação deste patrimônio somente seria factível através do processo de divisão assimétrica do trabalho social e da divisão de tarefas.
Charles de Secondat Montesquieu, nascido em 1689 no Castelo de Le Brède, França, contribuiu neste debate sobre a construção do estado de direito democrático com a teoria da separação dos poderes, colocando uma pedra sobre algum laivo remanescente de absolutismo, onde a divisão das tarefas políticas era importante para que o poder ficasse transparente e equitativo, pudesse ser fiscalizado, avaliado, ratificado e retificado pela sociedade.
Portanto, anterior à construção da sociedade política formou-se a sociedade civil à qual a sociedade política, ou elite dirigente, serve como fórum organizador das relações de direito resultantes das interações sociais.
Antecedendo à formalização da sociedade civil a divisão das tarefas tomou forma no núcleo das clãs por contingência da aglutinação em aldeias dos grupamentos humanos multi-clãs os quais originaram as comunidades multifamiliares a partir da fixação sedentária da população e conseqüente organização social, construída mediante o pacto de divisão assimétrica do trabalho social, que antecederam a formação da sociedade civil e política.
Esta assimetria gerou e gera desigualdades e conflitos que devem e são administrados pelo sistema legal e pelos seus agentes dentro de formas diversas de governos e sistemas políticos os mais variados, da anarquia ao totalitarismo, passando por toda a gama de tipologia de sistemas e processos diferenciados de escolha dos representantes políticos, desde a eleição até o critério da hereditariedade, todos estes sistemas de composição e de representação de poder foram incorporados à cultura das sociedades em todos os recantos do mundo ao longo do tempo histórico.
A divisão assimétrica do trabalho social também é uma divisão de privilégios e de status na sociedade, e este estágio deu origem a novos desafios às organizações criadas para exercerem o poder de controlar estes conflitos na sociedade.

Teoria do societarismo
Sobre este particular a teoria sobre o societarismo reflete a preocupação na organização das forças dirigentes e hegemônicas do sistema econômico que hoje estão em ebulição por causa da mudança no eixo condutor da sociedade que se desloca visivelmente do setor político para os setores econômicos.
Nem sempre foi assim. Já vimos na história da humanidade a hegemonia da religião, da nobreza, das forças armadas e agora assiste-se o momento culminante dos vencedores da Revolução Francesa de 1789: os burgueses completaram o processo de tomada do poder na sociedade, com o completo afastamento da nobreza, da igreja e dos militares.
Neste momento trava-se uma disputa intra-elite entre as burguesias comercial, financeira, industrial e agrária pelo controle do poder político e econômico.
O povo passou de ator, neste processo, a espectador. No congloblalismo não existem papéis reservados para agentes solitários, independentes. Os sujeitos são coletivos e estruturam-se através da coesão fornecida pelo interesse de grupo, não é o lucro suficiente para coalescer a unidade intrínseca do societarismo. É necessário estudar e compreender a dinâmica e a importância política das ações do societarismo.
Para contraporem-se ao societarismo os indivíduos devem utilizar da mesma forma de organização dos societarismo, reunirem-se em formas conglobadas de representação, isto é: através de sujeitos coletivos, quer seja através de associações, sindicatos, clubes, ONG's, institutos e outras formas coletivas de representação de interesses.
Aquela forma de representação de interesses através da representação indireta parlamentar não mais representa ser confiável pois que o processo de escolha destes representantes está contaminado pelo enorme poder econômico do societarismo que manipulam e formatam as preferência dos eleitores e impedem que candidaturas legítimas consigam incorporar-se ao processo eleitoral em condições de disputar de forma equipotente o acesso aos cargos eletivos em todos os níveis de representação política contra os representantes do societarismo.
Já que foi desvendado o verdadeiro objetivo deste processo de centralização sistemista resta estabelecer o plano de luta que deve passar pela mudança cultural, onde as grandes religiões cristãs e budistas que apoiam-se no individualismo nas suas pregações pela busca da salvação individual da alma e na busca do aperfeiçoamento individual, já não estão mais sintonizados na direção desta mudança na cultura do individualismo da sociedade liberal para uma nova cultura solidária, por isto constituem os maiores obstáculos para uma mudança de atitude que acabará por ensejar a eliminação da sociedade individualista pelo societarismo econômicos justamente por causa da miopia trazida pelo individualismo metodológico imanente à estas culturas.

Resumo:

a) Categorias analíticas

Societarismo – Resulta na aglomeração de entidades jurídicas com o fim de fortalecer sua posição no mercado econômico e político quer seja através de fusões de empresas quer seja através de incorporações de empresas e empreendimentos temporariamente.
Centralismo sistemista – tipo de organização econômica onde as empresas em número reduzido delas hegemonizam o cenário econômico regional e transnacional, para obter vantagens em escala e para hegemonizarem as demandas no mercado através do controle oligopolístico da oferta de bens, serviços e oportunidades de consumo.
Sistemismo – define um tipo de organização da sociedade civil em grupos multidisciplinares, multiculturais, multiraciais, voltados para algum interesse comum para disputar seu espaço na arena política e econômica frente ao societarismo, com o objetivo de obter este reconhecimento de sua importância e força política e econômica, organizados através do fortalecimento de sua coesão interna orgânica fundado no altruísmo de seus participantes.
Círculo societário – partes daquilo que forma o sistema de organização do sistemismo substantivo concreto.
Divisão assimétrica do trabalho social – faz parte da estrutura da sociedade a divisão do trabalho social, vale dizer, das funções e papéis sociais que cada indivíduo se atribui dentro do sistema socioeconômico e cultural onde cada uma destas funções e papéis corresponde a sua capacidade ou as suas oportunidades de reposicionamento dentro do sistema social onde o indivíduo participa e dele obtém a recompensa pelo seu desempenho e participação de acordo com o seu status no sistema social de modo diferenciado.
Coesão – é o conjunto de crenças, normas, regras, procedimentos e expectativas que mantém o sistema funcionando e coalesce os indivíduos participantes do sistema social de modo funcionalmente organizado e produtivo.
Fator limitante - é aquele dentre os fatores imprescindíveis à vida o que existir em menor oferta, limitando o desenvolvimento ou a sobrevivência da população severamente, quando escasso, e sem o qual a população fica ameaçada de desaparecimento mesmo que abundem os demais fatores necessários à sobrevivência.
Massa crítica – è a quantidade limite mínima a partir da qual o início de um evento ou fenômeno se torna inevitável, tornando-se o ponto de ruptura de um processo a partir do qual ele é desencadeado.
Efeito grupo – quando uma massa de indivíduos ou partes vivas ou inanimadas atinge determinado volume ou quantidade tal que a soma das partes supera o efeito delas somadas, na chamada sinergia.
Efeito sistema – quando uma massa de indivíduos ou partes vivas ou inanimadas no momento que agem em conjunto forma uma nova categoria de objeto com características distintas de suas partes componentes tomadas isoladamente, de modo quase irreconhecível, de modo que a decomposição das partes nem sempre torna inteligível a compreensão do todo.

b) As linhas mestras da ideologia do sistemismo pode ser assim descritas:
· fidelidade ao círculo sistêmico ao qual está filiado;
· submissão dos interesses individuais à vontade da maioria e o acatamento da vontade majoritária;
· dirigir os pensamentos e ações em harmonia com a comunidade, visando o bem-comum e a cooperação mútuas;
· procurar enquadrar-se nos círculos sistêmicos que lhes sejam afins, para poder cooperar e extrair destes auto-estímulo e confiança;
· cuidar para que as leis e as normas sejam respeitadas; o mesmo também com relação à hierarquia, seja em que grau for;
· objetivo central do societarismo é o poder, e o sistemismo o instrumento melhor para rivaliza-lo;
· sistemismo não é somente força-bruta;
· sistemismo não é ideologia;
· sistemismo não é um fim;
· sistemismo não se auto-regula;
· sistemismo não é auto-suficiente;
· sistemismo não é só busca hedonista;
· sistemismo não é só poder;
· poder é a capacidade de impor a vontade, sem restrições;
· poder é capacidade de despertar temor;
· altruísmo não é simplesmente um sentimento abstrato e enlevado, é antes em meio de produzir a cooperação;
· a cooperação é um método de exponenciação dos esforços individuais;
· sistemismo é um aglomerado de pessoas com uma ideologia, e um elo de coesão forjado no altruísmo e hierarquia;
· a hierarquia é o meio ordenado de compartilhamento do poder;
· a anarquia é uma deformação da hierarquia onde todos os níveis hierárquicos tem o mesmo grau;
· sistemismo privilegia o coletivo;
· sistemismo tem o sentido plural;
· sistemismo abomina a desordem: prefere a legalidade à justiça;
· poder não se doa nem se recebe: ou se herda ou se conquista;
· poder é auto-suficiente;
· poder é indivisível: compartilha-se pela hierarquia;
· poder permeia todas as relações sociais;
· a liderança é antes de tudo um método centralizado de comunicação;
· a coesão é o meio de obter a subordinação hierárquica;
· a ideologia provoca e mantém a coesão no sistemismo de forma duradoura e eficiente;
· a justiça é um meio dos cidadãos exercerem o seu poder dentro das normas legais do sistema, através da atuação de seus instrumentos institucionais específicos;
· a ordem é a base para o exercício pleno da hierarquia;
· processo de acumulação do conhecimento é um esforço debitado ao sistema para exponenciar a capacidade humana de realizações;
· a divisão assimétrica do trabalho social é o fator de eficiência do sistemismo: as máquinas exponenciam o esforço humano multiplicando a massa crítica pelo número de pessoas que ela seja capaz de substituir assim como o conhecimento também é um fator exponenciador do trabalho;
· círculo societário é o responsável pela acumulação, pela transferência e propagação do conhecimento;
· poder pertence ao líder que deve compartilhá-lo através da hierarquia, de acordo com o nível hierárquico;
· poder é inerente e imanente ao ser humano;
· sistemismo é escravo das leis e das normas;
· a escravidão é a negação da natureza humana;
· círculo societário cresce quando os seus membros progridem;
· a força do sistemismo está na coesão de seus membros;
· a ideologia deve ser, antes de tudo, fator de coesão do sistemismo;
· a coesão é o cimento do sistemismo: sem ela não há;
· sistemismo tem a prerrogativa da força bruta, que vem do poder, para manter a ordem e garantir a tranqüilidade através da ideologia e da hierarquia;
· poder é indivisível, porém deve ser compartilhado a bem da tranqüilidade do círculo societário;
· poder é atemporal, invisível, transcendente, perene, autojustificável, basta-se a si mesmo;
· sistemismo é o amálgama das tendências totalitaristas do poder com a necessidade de compartilhamento do poder através da hierarquia.
Dilema das esquerdas no Brasil:
· populismo ou luta de classes?
Como é o homus politicus: Pavlov, Freud ou Marx?
Os tipos humanos ideais podem ser classificados em: os políticos, os quais ambicionam o poder mais do que qualquer outra coisa; os hedonistas, ou utilitaristas, os quais buscam o máximo de satisfação e prazer com o menor esforço; ou, os econômicos, os quais buscam a riqueza a qualquer custo mais do que qualquer outra coisa. É claro que o tipo real é uma mistura em variadas proporções destes tipos ideais. É a partir de cada um destes tipos que são construídos os modelos de expectativas de comportamentos dos consumidores, eleitores e cidadãos ou indivíduos dentro de cada enfoque teórico: sistemista, dos jogos, institucionalista, marxista, liberal, democrático, econômico, sociológico, patrimonialista, antropológico, corporativista, imperialista, internacionalista e internalista.
· O problema da implantação do socialismo real pode ser resumido na pergunta de Stalin: "O quê fazer?" Como seriam as instituições socialistas? Como chegar lá, e como reconstruir os padrões culturais de comportamento dentro de uma sociedade que não existia ainda? Enquanto reformistas e revolucionários debatiam a melhor alternativa para a transição para uma nova sociedade que transcendesse ao capitalismo, a revolução soviética materializava-se na saída real, mas em outras partes do mundo o projeto político da reforma competia com o modelo de transformação revolucionária, como foi na Suécia, Dinamarca, Grã-bretanha, França, Alemanha e Espanha onde os partidos socialista e laboristas chegavam ao poder através do voto depois de um longo período de amadurecimento das idéias e ideais socialistas nas elites, classe-média e povo em geral, nesta ordem.
· O populismo e as esquerdas constituíram dilemas teóricos e de praxis em campos opostos, e esta dificuldade de compreensão dos caminhos paralelos que estes movimentos tiveram foi provavelmente o resultado do mais bem sucedido processo de construção de uma alternativa teórica para o movimento de massa da classe operária desde a Revolução Francesa. A competição estabelecida entre os dois movimentos pela redenção da classe proletária diante do paradoxo de ser maioria e ser dominada pela elite ensejou que duas abordagens competissem no sentido de: harmonizar os interesses, e, a outra, a marxista, de exacerbar e de enfrentar o conflito de interesses vistos como inconciliáveis por meios pacíficos entre produtores e consumidores, pobres e ricos, proletários e capitalistas. A intermediação do estado serviria para conciliar interesses, no corporativismo, como pólo aglutinador de interesses corporativos, ou, na perspectiva contrária, a marxista, onde o estado é tomado na instância alienista de estar a serviço do capitalismo por isto deveria ser destruído.
· Os movimentos de esquerda não foram capazes de empolgar a multidão, a massa, o povo, pois utilizam uma retórica racional demais e muito pouco concreta com relação aos objetivos e ações práticas, por isto fica difícil se entender os seus objetivos, métodos e propósitos, que parecem focados para uma parte da população, os trabalhadores, camponeses e operários, excluindo os pobres, desempregados e os lúmpem.
· POLOP (POLítica OPerária) a AP (Ação Popular), levam as suas divergências internas para um debate público que pouco contribui para esclarecer os já obscuros objetivos com relação à população com relação à construção de uma novo tipo de sociedade que nunca existiu, por isto não consegue transformar em luta de classe os movimentos populares, o populismo é então apropriado pelos líderes carismáticos que passam do discurso à prática sem no entanto aumentarem a consciência crítica com relação ao processo de entendimento político como a solução para o início das mudanças.

1. Falta de consciência de classe nos movimentos sociais (populismo = reformismo);
2. Não conseguem transcender ao oportunismo populista (incorporação das demandas pelas classes dirigentes) para a luta de classes;
· nacionalismo: foi uma bandeira cara aos movimentos populares e principalmente aos tenentes e aos comunistas.
· populismo: representou um processo concorrente aos movimentos classistas ideológicos porque incorporava muitas das demandas das classes trabalhadores e com isto eliminava o potencial de conflito de classe, criando um novo tipo de coesão de classe sem construir uma consciência revolucionária na perspectiva de uma revolução de classe;
· ditadura: foi a resposta possível à quebra das expectativas políticas das elites dominantes em manter o povo afastado do núcleo de decisões do poder central, através do isolamento entre as elites e o povo e da desarticulação da classe política através da proibição das atividades político-partidárias;
· direitos dos trabalhadores: foi uma resposta ao crescente aumento das populações urbanas e dos imigrantes europeus e também o alinhamento com o processo social e político na Europa e nos EUA, diante no New Deal, Keynesianismo, Welfare State, da Revolução de Outubro de 1917 na Rússia, do surgimento do fascismo com Mussolini na Itália, do Militarismo imperialista no Japão, do nazismo na Alemanha, e salazarismo em Portugal;
· revolução de classe: é uma expectativa da transformação da sociedade capitalista em um tipo de sociedade socialista através da mudança de consciência de sua condição de classe majoritária e da consciência do processo de exploração a que está submetida pela classe minoritária chamada capitalista, que pela astúcia ou pela violência teria iniciado o processo de acumulação capitalista, por isto entende que toda propriedade privada é um roubo (1780, Brissot de Warwille, apud Proudhom)
· propaganda política: tem o objetivo de formar, reforçar, modificar e reformar preferências políticas. O processo de formação de preferência política para surtir os efeitos desejados, deve causar impacto sobre os sentidos do indivíduo visando atingir o seu senso de valores. A estratégia de ação e a propaganda política trabalham nesta linha de sensibilização do indivíduo afastando-se dos apelos à razão e utilizando-se mais intensamente dos apelos aos sentidos.

O Brasil herdou um passado marcado pelo forte centralismo das cortes portuguesas, chegando a ser Vice-reino de Portugal, com a presença em seu território de uma monarquia européia, com D. João VI e D.Pedro-I, tendo sido também um império independente com o Príncipe D.Pedro II.
O traço mais marcante deste processo foi, além do traço cultural das cortes centralizadoras, o caráter agrário e fechado das oligarquias que sucederam as monarquias, cujo comportamento excludente em relação à população em geral mostrou que o Brasil seria uma nação com duas castas: os oligarcas e o povo.
Neste sistema a oposição à oligarquia agrária tem sido ocupada em períodos alternados pelos liberais, pelos comunistas, pelos nacionalistas, pela classe média, pelos populistas, pelos tenentistas e pelos anarquistas.
Este processo de revezamento sistemático entre liberais e conservadores no comando da política no Brasil vem desde os tempos do parlamentarismo do Império que começou em 22 de maio de 1847 com o primeiro ministro Manuel Alves Branco do Partido Liberal, daí em diante o Partido Liberal ocupou o gabinete mais quatorze vezes, o Partido Conservador ocupou o ministério por quatorze vezes, a liga Progressista três vezes; após a Proclamação da República, depois dos períodos de Deodoro da Fonseca e de Floriano Peixoto[3] iniciou-se no governo do Presidente da República Campos Sales (Manuel Ferraz de) em 15 de agosto de 1898 a política dos governadores, que baseou-se no esquema de café-com-leite onde os estados de Minas Gerais e São Paulo revezavam-se na presidência da república até ao final governo do presidente Washington Luiz Pereira de Souza que tentou quebrar o pacto com a indicação de um paulista para sucedê-lo, ele que veio de São Paulo, sendo deposto e assumindo em seu lugar a junta governativa no lugar do vencedor das eleições Júlio Prestes, então completou-se o golpe de estado que deu posse a Getúlio Vargas em 3 de novembro de 1930.
Este esquema de conciliação das elites entre liberais e conservadores fica patente não só nestes casos, como é sintomático que a nossa independência tenha sido deflagrada e proclamada por um nobre de origem portuguesa, D. Pedro-I, e que a república tenha sido proclamada por um dos amigos mais íntimos do imperador D. Pedro-II, Mal Deodoro da Fonseca, que na madrugada anterior à proclamação fora convencido e forçado a proclamá-la, motivada pela idéia da vingança dos ex-escravocratas contra a Lei Áurea, da Questão Militar (criação de um plano-pecúlio para a aposentadoria dos militares) e da Questão dos Bispos (se deveriam seguir as lei no Brasil ou ao Vaticano), obrigando o ex-imperador a fugir de madrugada para que o povo não se revoltasse com o golpe contra o tão bem-amado e popular D. Pedro-II.
Não é por acaso que a capital federal tenha se situado durante o império e na primeira fase da república no Rio de Janeiro que está convenientemente à meio distância de São Paulo e Belo Horizonte, a quatrocentos quilômetros de cada umas destas cidades, hoje Brasília, o atual Distrito Federal, encontra-se à meia distância entre Rio de Janeiro e São Paulo, a mil quilômetros de cada uma delas.
Completando o quadro de evidências do caráter conciliador das elites liberais-conservadoras, hoje a composição da Câmara dos Deputados está dividida entre os estados do Sul-Sudeste de um lado e do outro os estados do Centro Oeste-Norte-Nordeste, estes dois blocos têm respectivamente 50% do número de cadeiras do total (513), sendo que o bloco Sul-Sudeste possui 58% da população e do eleitorado brasileiros, portanto cerca de oito milhões de pessoas e de eleitores têm o seu voto esterelizado no bloco Sul-Sudeste para que o equilíbrio geopolítico dos dois grandes blocos seja alcançado.
Por causa deste processo de anulação de representatividade dos eleitores do Sul-Sudeste[4] caso o processo eleitoral fosse equânime o PSDB e o PFL perderiam 31 deputados federais cada, o PMDB ganharia 19 deputados federais, o PT ganharia 15 deputados federais, o PPB ganharia mais 5 deputados federais e o PDT ganharia mais 10 deputados federais, caso o sistema proporcional fosse abolido o PT deixaria de dar carona a 17 deputados dos nanicos de esquerda, aumentando sozinho a sua bancada federal, pois o PC do B (Partido Comunista do Brasil) e o PPS (Partido Popular Socialista) elegeram deputados federais sem nem sequer terem atingido o coeficiente eleitoral. Com isto cerca de 10,7 milhões de eleitores do Sul-Sudeste teriam os seus votos computados, assim o Sul-Sudeste teria passado para cerca de 295 deputados federais ao invés dos atuais 256 deputados federais, e as regiões Centro- Oeste e Norte-Nordeste passariam dos atuais 257 deputados federais para 218, respectivamente 57,5% e 42,5% pela transferência de 39 cadeiras de um bloco para o outro, do norte (Co-N-Ne) para o sul (S-Se).
A bipolaridade Minas / São Paulo, durante o período da Política dos Governadores (café-com-leite) interferiu na formação e consolidação da classe política no Brasil, quebrando a unidade federativa, acirrando o conflito exportadores versus importadores, industriais, comerciantes, impedindo um processo avançado de industrialização, que só foi implementado com o afastamento da elite oligárquica patrimonialista agrária do núcleo de poder central através da ditadura de Vargas, que quebrou os parâmetros do modelo político desde o descobrimento, implementando um modelo no qual as elites dominantes não participariam do controle do Estado.
Dentre os tipos alternativos de modelo de desenvolvimento pode-se destacar os seguintes modelos de industrialização: nacionalista, internacionalista, associado, ou, tríplice (estatal + estrangeiro + privado nacional). Vargas preferiu aquele modelo que dava ao Estado maior controle e menos interferência das oligarquias locais.
As causas intrínsecas da subida de Vargas podem ser encontradas no processo de mudança na composição socioeconômica das populações das cidades: migrações internas e externas, a chegada de migrantes italianos que vinham socializados com ideais anarquistas e marxistas, com melhor educação e formação profissional, então o impacto destas transformações encontraram na ditadura e no populismo uma razão para justificar uma revolução cultural e política da sociedade e do sistema político brasileiro.
A urbanização e o efeito demonstração das luzes da cidade sobre as populações do campo que viviam encurraladas nos grotões sob o controle totalitário dos coronéis que remanesciam do sistema de lealdades e compromissos dos líderes e representantes políticos atrelados à política dos governadores desde Campos Sales, que através dos partidos republicanos estaduais, viram com Vargas o fim dos partidos republicanos estaduais e depois de Vargas, o surgimento dos partidos nacionais e partidos regionais e de massa: mas isto significou mudanças na classe política?
A tentação caudilhesca no Brasil não termina, a prova é que depois de 1947 contam-se entre os populistas os Ex-Presidentes da República: Vargas, Quadros e Kubitscheck.
A grande mudança no processo de reconstrução do Estado foi a tentativa de criação de uma política externa de independência. Quadros, Vargas, Goulart e Kubitscheck.
No âmbito interno a mudança foi a sistematização das ações do governo federal através da planificação e centralização da economia, o que representou um avanço se considerarmos que a empresa majoritária representante dos plantations era a empresa rural: este tipo de empreendimento mantinha relações extremamente defasadas do mundo capitalista, haja vista que começou a formar-se na época da mão-de-obra escrava e não soube adaptar-se nem compreender e tirar vantagens do modo capitalista de produção; seria ela capitalista ou patrimonialista? seriam os seus operadores trabalhadores rurais ou servos da classe camponesa?
As mudanças tem sido adiadas pelas elites oligárquicas graças, segundo os internalistas, à coesão e às eventuais coalisões entre as oligarquias e a burguesia seja industrial, comercial e/ou financeira contra o inimigo comum que é o povo: o caráter desta coligação é antidemocrática, antipopular e antipartido, por este motivo o sistema político é o mais visado pelos processos de mudanças para desorganizar e desestruturar os processos que possam ameaçar a hegemonia desta coalizão. À medida que a democracia aumenta a participação popular e a sua representatividade, mais casuísmos legais são criados para anular ou minimizar a representatividade do voto e da participação das vanguardas que estão identificadas com as populações urbanas educadas.
Procura-se valorizar o voto das populações onde o governo das elites ainda consegue maior apoio, não é sem razão que vão buscar no interior dos estados, nas periferias das grandes cidades, no interior do Brasil e nas regiões Norte e Nordeste o apoio para a classe política dominante. É nestas localidades que o governo mantém a sua legitimidade e para estes núcleos que são distribuídos criteriosamente os valores sociais em troca do apoio e da fidelidade.
Este sistema patrimonialista, clientelista e neocoronelista mantém a estrutura de relações paternalistas e impede que o processo de mudanças e progresso liberte estas populações desta dependência. mas quando uma mudança se prenuncia novos instrumentos são alocados e novos casuísmo são criados.
Segundo Maquiavel é legítmo a utilização de qualquer recurso para a manutenção do poder, porém há que se lembrar que o progresso social coletivo está sendo impedido pois se opõe aos interesses e conveniências que limitam e condicionam a linha estratégica desde jogo, como ficou provado no estudo de caso em que é comparado o caso da Argentina versus Austrália. A conclusão que é que a elite agrária que forma a classe dirigente da Argentina é diferente da elite dirigente da Austrália que não é uma oligarquia agrária. Portanto, por ser o setor industrial muito mais competitivo, com uma produção de valores agregados numa escala muito maior do que o setor agrícola o comparativo da eficiência conglobada setorial não permite questionar que o desenvolvimento industrial foi o fator de distanciamento entre os dois países considerados, o que explica politicamente que a diferença entre os dois pode ser creditada à qualidade da composição da classe dirigente da Austrália.
O mesmo aplica-se ao Brasil. Somente com o afastamento em dois momentos desta oligarquia agrária o Brasil conheceu surtos de desenvolvimento: com Vargas e com os militares de 1964-85, ambos períodos de ditadura. A razão do sucesso pode ser creditada ao afastamento das elites agrárias do poder, a ditadura funcionou como a variável interveniente pois afastou as oligarquias do núcleo de poder, temporariamente, o suficiente para que o Brasil desse saltos qualitativos no desenvolvimento.
Nova era do Sistemismo Mundial

Estamos no limiar de uma nova era do sistemismo no mundo. As velhas teorias e os velhos métodos precisam ser revistos.
O novo projeto de consenso não prevê a existência da sociedade, isto implica na extinção da noção de grupos organizados de defesa de interesses de classe ou de massa.
Ações são requeridas neste momento, a estratégia agora é o enfrentamento indireto, a guerrilha, o engodo, o convencimento, a difamação, a confusão, é preciso abandonar por ora as grandes manifestações de força.
Vamos partir para um novo conjunto de estratégias de infiltração e de guerra de posição, envolvendo o inimigo em suas próprias contradições ideológicas.
Não é o momento de atos heróicos, precisa-se de profissionais de marketing político, de gente determinada e flexível, é preciso conquistar as consciências das massas inertes através da emoção, as massas não entendem de razão, elas compreendem melhor idéias simples e diretas.
É preciso afastar os amadores e os voluntaristas de nosso meio, o consenso mundial derrotou a democracia e a liberdade, estamos sendo vigiados e monitorados por uma rede jamais montada pela civilização.
Temos que abandonar os meios de comunicação eletrônicos, dissimular as palavras, os textos, os jornais, agir na surpresa e na calada da noite, sermos discretos, silenciosos e vigilantes.
Estamos em guerra contra um inimigo mais terrível que a humanidade já concebeu, ele disfarça a sua tirania, de democracia, enquanto faz calar todo e qualquer tipo de pensamento divergente. Não há como enfrentar um inimigo tão poderoso de frente, temos que agir com mais astúcia e cuidado. Alerta permanente, cuidado constante, sempre censurando os comunicados e conversas, observar ao redor e cuidar o que e com quem falar, a criação de um serviço de inteligência é urgente, este serviço deverá ser a espinha dorsal juntamente com a desinformação apoiado na terceira perna que é a ação coordenada e centralizada contra os novos tiranos do mundo.

[1] Fator limitante é aquele dentre os fatores imprescindíveis à vida o que existir em menor oferta, limitando o desenvolvimento ou a sobrevivência da população severamente, e sem o qual a população fica ameaçada mesmo que abundem os demais fatores necessários à sobrevivência.
[2]ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre as Origens e os Fundamentos das Desigualdades entre os Homens. São Paulo : Nova Cultural, 1999. Primeira Parte, Discursos. p.25.
[3] Manuel Vitorino foi presidente interino por breve período por causa da doença de Floriano Peixoto.
[4] Art 45, §1ºCF/88..."nenhuma das unidades da federação tenha menos que oito ou mais que setenta Deputados".
TAFNER, Paulo. Desproporcionalidades e exclusão no Brasil. In : IPEA. A economia brasileira em perspectiva 1998. Rio de Janeiro: IPEA, 1998.
Passim. SOUZA, Maria do Carmo Campelo. Estado e partidos políticos no Brasil. 2.ed. São Paulo: Alfa & Ômega, 1983.

Apêndice sobre a Teoria dos Sistemas Gerais

TEORIA GERAL DOS SISTEMAS (Afanasiev, Bertalanffy, Bogdanov,)
Alexander Bogdanov, médico, filósofo e economista russo, concebeu uma teoria geral dos sistemas, intitulada Tectologia, entre 1912 e 1917. Tectologia, do grego tekton = construtor, pode ser traduzida como ‘ciência das estruturas’ de todas as estruturas vivas e não vivas. (CAPRA, 1999, p.p. 50-51). Afirma Capra ainda que a ”tectologia foi a primeira tentativa na historia da ciência para chegar a uma formulação sistemática dos princípios de organização dos seres vivos e não vivos”.
Bogdanov identificou três tipos de sistemas :
Complexos organizados – o todo é maior que a soma das partes, Complexos desorganizados – o todo é menor que a soma das partes e
Complexo neutros – a organização e desorganização se anulam mutuamente.
Para Bogdanov a estabilidade e o desenvolvimento dos sistemas era explicado a partir dos mecanismos de organização :
Formação – consiste na composição de complexos Regulação
V. G. Afanasiev – igualmente representante da escola Russa, elaborou a concepção do Sistema dinâmico Integral com as seguintes propriedades :
Primeira Propriedade – Qualidades do Sistema “Sistema integral é o conjunto de componentes cuja interação engendra novas qualidades – fruto da integração – não existentes nos componentes”. Ex. célula viva.
Segunda propriedade : Composição - Cada sistema possui o seu próprio conjunto de partes e componentes. (Partes = Órgãos, fenômenos, processos) Uma modificação da composição muda portanto o sistema. Em sociedade elementos podem ser por exemplo os valores, idéias sociais.
Terceira Propriedade: Estrutura Dinâmica / organização interna. Modo especifico de interação e interconexão dos componentes. Referese portanto à ordem da organização da estrutura dos materiais, processos e fenômenos. “É precisamente a estrutura o que integra e une as partes, as quais possuem, às vezes, tendências distintas e contraditórias, que lhes imprime certa união e integridade e que suscita o surgimento de novas qualidades oriundas da formação do sistema. A conservação e o funcionamento do todo, do sistema, dependem, em grande parte, da autonomia relativa e da estabilidade da estrutura.”
Quarta Propriedade : Interação com Ambiente = Refere-se à interação com o meio ambiente, dos demais sistemas que compõe este ambiente e da sua importância no relacionamento com o sistema objeto.
“O caráter específico do sistema integral e sua essência vêm determinados, antes de tudo, pela natureza das partes que o formam e pelo caráter de sua interação interna. No que se refere ao meio ambiente, o efeito de seus fatores se traduz, sempre, por meio do interno, da essência do sistema, pelas suas contradições internas”.
Tipos de Sistemas segundo Afanasiev
Autogovernados – processos com regulação própria (a no ocidente depois chamada Auto-organização e eventualmente a Autopoiese), tem a homeostase intrínseca, ou seja a capacidade de conservar a estabilidade de seus parâmetros fundamentais em face das mudanças do meio ambiente.
Dirigidos, governados – com processos de direção próprios dos sistemas biológicos, sociais e dos sistemas mecânicos criados pelo homem.
Para Afanasiev, a estabilidade é, necessariamente, decorrente de uma estrutura temporal; há no sistema uma determinada periodicidade, um determinado ritmo que faz com que, em seu processo de movimento e desenvolvimento, o sistema atravesse certas etapas ou fases cronologicamente sucessivas: o sistema é um processo em função do que sua estrutura vem a ser sua organização no tempo e um contínuo tornar-se.
A questão da entropia, da desordem, é abordada por Afanasiev no contexto dos sistemas autogovernados: o processo de direção é a ordenação do sistema. Na visão de von Bertalanffy e seus seguidores, a entropia ocorre em sistemas fechados, podendo ser evitada pelos sistemas abertos mediante a importação de energia (informação) do meio ambiente.
4.3 As principais vertentes conciliadas do Ocidente Ludwig von Bertalanffy
Biólogo que iniciou a sua carreira em Viena na década de 20 do século X, onde integrou o chamado círculo de Viena.
como os governos e as empresas)
As hipóteses de Bertalanffy desde o início evidenciavam sua descrença em uma visão meramente mecanicista, ou seja física (a física do pensamento mecânico de Newton – forças e trajetórias) newtoniana, dos fenômenos biológicos, os quais deveriam ser ampliados por uma visão que considerasse o todo, as suas inter-relações e as com o seu ambiente (Estava dado o passo inicial da concepção de “complexidade” – múltiplas relações e interconexões a qual foi posteriormente levada também para os sistemas de cunho social tais
A partir destas concepções genéricas passou a elaborar sua Teoria
Geral dos Sistemas. Esta foi por ele, apud Capra (1999) definida como sendo “uma ciência geral de ‘totalidade’, o que até agora era considerado uma concepção vaga, nebulosa e semimetafísica. Em forma elaborada, ela seria uma disciplina matemática puramente formal em si mesma, mas aplicável às varias ciências empíricas. Para as ciências preocupadas com ‘totalidades organizadas”, teria importância semelhante àquelas que a teoria das probabilidades tem para as ciências que lidam com ‘eventos aleatórios’”.
A teoria dos sistemas de Bertalanffy, repousando em sólido embasamento biológico, procurou evidenciar inicialmente as diferenças entre sistemas físicos e biológicos.
A titulo de se efetuar uma tentativa de sintetizar o fecundo pensamento de Bertalanffy com vista aos propósitos de se estabelecer uma Teoria Geral dos Sistemas pode-se afirmar (Bertalanffy 1995, 10ª ed. Teoria General de los Sistemas) :
Há uma tendência geral à integração das varias ciências naturais e sociais,
Esta integração parece girar em torno de uma teoria geral dos sistemas,
Esta teoria poderá ter um recurso importante ao buscar uma teoria exata em campos não físicos da ciência,
Ao elaborar princípios unificadores que correm verticalmente pelo universo das ciências , esta teoria nos remeterá à meta da unificação da ciência,
Isto poderá conduzir a uma integração, de cuja ausência a investigação científica em muito se ressente.
Uma tentativa de conceituar sistemas apoiado em Bertalanffy pode ser
“um sistema pode ser definido como um conjunto de elementos em inter-relação entre si e com o ambiente”.
Ampliando este conceito pela adição da visão teológica (a sua finalidade, seus objetivos) pode-se conceber sistemas como sendo : Um conjunto de partes interdependentes para a consecução de um objetivo(s).
Uma tentativa de Classificação dos sistemas é encontrada na dicotomização (classificação dual, classificação em dois ramos, bifurcação) elaborada por G. B. Davis (1974)
Abstrato (arranjo ordenado de idéias ou construtos interdependentes) – Físico (conjunto de elementos que operam juntos para atingir um objetivo - tangíveis, materiais).
Determinista funciona de maneira previsível, isto é, o estado do sistema, em um dado ponto, e a descrição de sua operação levam idealmente à previsão do próximo estado, sem erros. .–
Probabilista é o que opera dentro de condições prováveis de comportamento, ou melhor, há uma margem de erro associada à previsão
Fechado é o auto-contido. Não troca material, informação ou energia com o ambiente. Para Davis, vão esgotar-se ou tornar-se desordenados, o chamado movimento que aumenta a entropia.
Sistema Aberto é o que troca informações, materiais e energia com o meio ambiente, ou seja, um sistema aberto é aquele que tem um ambiente, que são outros sistemas com os quais ele se relaciona, efetua trocas, portanto se comunica. Sistemas abertos tendem à adaptação, pois podem e necessitam de adaptar-se às mudanças ocorridas em seus ambientes de forma a procurar garantir a sua própria existência (A chamada Homeostase ou Homeostasia). Tais sistemas, na concepção de vários autores, têm, portanto intrínseca, a característica da adaptabilidade; de uma maneira bastante genérica, tais autores consideram que todo sistema vivo é um sistema eminentemente aberto.
A classificação dicotomizada dos sistemas em Aberto x Fechado é contestada ao resgatar-se a concepção ontológica dos sistemas de Mario Bunge e Avanir Uyemov => todo sistema tem um ambiente e com este interage em vários graus de intensidade. (Ex. A Rocha recebe, armazena (memória) e devolve calor do e ao seu ambiente).
As razões desta contestação podem ser enumeradas como sendo :
percebe os sistemas como sendo : =>

outra coisa”
• Para Mario Bunge – ao elaborar a sua abordagem existencial dos sistemas sem considerar nesta abordagem os aspectos teológicos, “sistema é uma tripla ordenada“ a coisa [o sistema]”, a “outra coisa [o ambiente]” é um “conjunto de relações entre a coisa e a
Esta concepção elimina a possibilidade de um sistema existir sem “ambiente”, ou seja, algo não existe se não houver onde ‘ter’, ou que possa ‘conter’, enfim ‘relacionar’ a coisa.
• A definição ontológica : ‘Todo e qualquer sistema possui um ambiente’ leva a que o universo seja explicado, entendido, como sendo um sistema em um ambiente. O ambiente, no caso do universo, é dado, representado, pela sua própria expansão já demonstrada por cientistas Russos;
E ao se considerar os trabalhos de:
• Avanir Uyemov - “sistema é um agregado de elementos, complexos ou não, que tenham um conjunto de relações que agem sobre o conjunto de elementos agregados fazendo com que daí surja a emergência de novas propriedades não existentes nos elementos isolados”. Enfoca as propriedades emergentes, porém ao se agregar à visão de Uyemov a concepção bungiana pode-se inferir que para que surjam relações deve haver a ‘outra coisa’ em algum lugar ou seja o seu ambiente.
4.4 Características dos Sistemas
No que tange aos sistemas ABERTOS a visão de Katz D. e Kahn R. L (1977), traz algumas características comuns a todos os sistemas: ( a partir de Araújo, V.R.H. (1995). Ressaltada-se que, para os sistemas abertos, também se aplicam a esta a concepção, os estudos de Bunge e Uyemov acima apresentados deve-se expandir estes conceitos a TODOS os sistemas já que não há por conceituação ontológica os fechados.
1. Importação de energia 2. Transformação 3. Produto 4. Sistemas como ciclos de eventos 5. Entropia negativa
6. Insumo de informação, realimentação negativa e processo de codificação
7. Estado estável e homeostase dinâmica 8. Diferenciação 9. Eqüifinalidade
4.4.1 Importação de energia – Os Sistemas abertos precisam importar algum tipo de energia do ambiente. Assim sendo, as organizações sociais precisam também extrair energia, seja de outras organizações, pessoas ou do ambiente material/físico que as cerca – nenhuma estrutura social é autosuficiente e autônoma.
4.4.2 Transformação – Para executar algum tipo de trabalho, sistemas abertos transformam a energia que têm à sua disposição. Organizações criam novos produtos, elaboram matérias-primas, treinam pessoas ou proporcionam serviços – todas estas atividades acarretam reorganização de insumos.
4.4.3 Produto – o produto dos sistemas abertos é exportado para o meio ambiente, quer como mentefato, quer como artefato (Informação ou produto físico). Pode-se conceber com estas propriedades uma visão, ou seja um arquétipo, dos sistemas como sendo um agregado que apresenta : ENTRADA (INPUT) – PROCESSAMENTO – SAIDA (OUTPUT) e REALIMANETAÇÃO (FEEDBACK) voltados para um determinado objetivo.
Figura : Arquétipo de um sistema com sua concepção teológica, seus componentes e a interação (comunicação) com o ambiente
4.4.4 Sistemas como ciclos de eventos – as atividades geradas pelo intercâmbio de energia têm um padrão de caráter cíclico: o que é exportado para o ambiente proporciona energia para a repetição do ciclo de atividades. Em sistemas sociais, lembrando serem estes como sendo aqueles criados pelo homem para uma determinada finalidade (visão teleológica própria e característica deste tipo de sistemas), surgem, no afã de cumprirem as suas finalidades, objeto da sua constituição, os chamados processos. São estes de caráter cíclico, ou seja a saída (output) representa o fim do processo o qual imediatamente se reinicia continuamente. A titulo de exemplo pode se citar o processo de produção m b i e n t e m b i e n t e
Processo de Transformação ENTRADAS SAÍDAS de um automóvel, de um aparelho de som, de um serviço de logística, do Ensino, enfim todos sistemas nos quais ao término do ciclo este se reinicia, se torna repetitivo, condição característica das empresas dos assim chamados de sistemas sociotécnicos. Para que estes processos ocorram, necessário se torna, a que todos os elementos do sistema, ou seja os subsistemas, ajam de maneira sinérgica – voltadas para um mesmo objetivo – de maneira coordenada (a organização das conexões). Nos sistemas sociotécnicos esta função de coordenação de portanto ‘organizar as conexões” é a própria incumbência da Administração contemporânea.
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LEI DA EVOLUÇÃO DAS LEIS DO UNIVERSO

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político
LEI DA EVOLUÇÃO DAS LEIS DO UNIVERSO Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político ABSTRACT: This work is the result of the experiences in lessons of MC in UNEB DF and deals with the epistemology quarrel on the meanings to: research, of science and the theory in science. RESUMO: Este trabalho é o resultado das experiências em aulas de MC na UNEB DF e trata da discussão epistemológica sobre os significados da: pesquisa, da ciência e da teoria na ciência. PREFÁCIO Não há nada pior do que a unanimidade. A CIÊNCIA é avessa à democracia. "Toda unanimidade é burra" dizia Nelson Rodrigues, que significa dizer que o conhecimento sempre será elitista, e solitário. Lembra-me agora na Universidade de Cambridge Inglaterra, Sir Isaac Newton aos 23 anos de idade apresentando a sua "Principia" a sua teoria da força gravitacional para um auditório de doutores em Filosofia, Matemática e Física. Um a um todos foram se retirando para não serem constrangidos a serem cúmplices de tanta estultice de um jovem arrogante. Não me constrange ficar na minoria, dos contrários. A tecnologia moderna tem perto de 150 anos, pois nada de novo surgiu nas ciências básicas exceto a nanotecnologia, os nossos conhecimentos tecnológicos são meras aplicações de princípios descobertos dentro deste século e meio. O computador ainda não debate com o ser humano, consumimos meio ano de viagem espacial para levarmos até Marte um pedaço de metal repleto de bugigangas ininteligíveis para testarmos se algum composto orgânico ali seja reconhecido como algo antropomórfico. As novas idéias têm de brigar e gritarem para serem ouvidas. A banca não deixa passar nada para além das margens da lauda, as tabelas têm de estar bem centralizadas nas páginas senão, lá se vai uma idéia brilhante para o ostracismo. O CNPQ faz meticulosas e cuidadosas exigências para selecionar projetos e pesquisadores, mas nenhum requisito se refere à competência, apenas formalidades como diplomas, idade, temas correlacionados com o conhecimento e as preferências temáticas da banca, tem de ser vagabundo (não pode trabalhar em outra atividade se não a pesquisa), infra-exigências veladas sobre o gênero, cor da pele e origem geográfica dos candidatos, e, pasmem, tem que ter um padrinho! (cartas de apresentação dos grãos-mestres da Guilda científica). Assim fica difícil fazer ciência! Ouvindo e vendo uma entrevista recentemente no programa "Roda Viva" com o imortal Fernando Henrique Cardoso percebi como seria fácil para qualquer aluno de um curso de Ciência Política ou de Relações Internacionais atuais colocá-lo em saia justa: as referências bibliográficas de FHC todas tem mais de um século de atraso! O autor mais recente citado pelo mesmo durante toda a entrevista foi de um livro prefaciado por ele "A Sociedade em Rede" de, Castells. Como a nossa inteligência acadêmica envelheceu! 0 – Introdução Este trabalho é sobre o significado da teoria para a ciência contemporânea. O objetivo deste trabalho é examinar se as leis de gravitação universal existiram desde o início do universo, ou, usando a lógica dedutiva, examinar se as leis do universo hoje são as mesmas do universo num tempo anterior, durante a sua criação, já que o universo está em mutação permanentemente, os elementos químicos eram elementares e simples no início do universo, quando havia muito mais energia do que matéria e a densidade do universo eram muito mais concentradas HAWKINS (2001: p.22-3. O primeiro cientista a investigar as origens do universo, o sacerdote católico Georges Lemaître, calculou que há cerca de 15 bilhões de anos o universo todo se concentrava num átomo primordial, cuja densidade deveria ser de pelo menos 2 toneladas por centímetro cúbico e a temperatura seria de 10 bilhões de graus. Medidas modernas sobre este estado primordial indicam uma densidade de um trilhão de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de toneladas por centímetro cúbico.), então essa questão pode ser reformulada para: se o universo está em contínuo, constante e permanente estado de mudança, ou de evolução, então novas leis são criadas e velhas leis tendem a tornarem-se superadas, degeneradas, derivadas ou abandonadas pelo desuso. A hipótese desse trabalho é: LEI DA EVOLUÇÃO DAS LEIS: NO COMEÇO DAS ESPÉCIES E DO UNIVERSO VIGIAM OUTRAS LEIS DA FÍSICA, DA QUÍMICA E DA GENÉTICA, HOJE EXISTEM NOVAS LEIS DIFERENTES DAQUELAS PORQUE AS CONDIÇÕES DO UNIVERSO MUDARAM COMO MUDARAM AS ESPÉCIES. AS LEIS EVOLUEM ASSIM COMO O UNIVERSO E AS ESPÉCIES. SE AS LEIS EVOLUEM TAMBÉM O FAZEM AS TEORIAS PARA ACOMPANHAREM A EVOLUÇÃO DO UNIVERSO. A justificativa para esta hipótese baseia-se nas seguintes subhipóteses sobre a lei da evolução das leis: a) Todo sistema complexo tende a organizar-se segundo uma lógica inteligente e flexível; b) Lógica inteligente é a capacidade de contornar os obstáculos criando uma nova alternativa; c) A natureza desconhece as leis reconhecidas pelos cientistas porque o universo não é estático, está sempre em transformação; d) As leis do universo estão em constante transformação para adaptarem-se às novas circunstâncias, procurando alternativas para as novas mudanças evolutivas no ambiente do universo; e) Não existem leis permanentes na natureza; f) Não existem leis no universo no sentido normativo, as leis são abstrações fenomenológicas num contexto de justificação antropocêntrico exigidas pela ditadura da teoria para conduzir ao salto epistemológico; g) Leis e teorias são apenas maneiras de descrever um estado transitório do universo; h) O universo possui inteligência, portanto as suas leis evoluem de acordo com as mudanças das circunstâncias no universo; i) Leis são aproximações cognitivas de um aspecto ou de uma instância de um determinado estado transitório do universo em seu processo de mudanças permanentes; j) Todo o universo tem inteligência por isso ele pode mudar as suas leis a qualquer tempo. A lei de mudança das leis no universo é regida pelo princípio de buscar um caminho alternativo para contornar os obstáculos no processo de conservação da energia total do universo através do processo/meio mais econômico de conservação. HAWKINS (2001: p.83. Richard Feynman propôs que as partículas se deslocassem de um local para outro ao longo de todas as trajetórias possíveis. A soma de todas as trajetórias se anula exceto uma que é aquela determinada pelas leis de Newton. GALILEO (1909)). O universo é um sistema complexo e inteligente. A perspectiva de uma inteligência por trás do universo, construindo-o e organizando-o não passa de uma visão antropocêntrica de que a inteligência é um atributo humanóide imaterial, o que contradita esta hipótese. Galileu estava convencido da racionalidade da realidade; sua posição é lúcida: criado por um ser infinito, o mundo foi feito na escala de sua razão, não na da razão humana, que o compreende apenas nos limites de suas capacidades, ou seja, por aquilo que ela tem em comum com a razão divina. GALILEO (1909). 1 – Revisão da Bibliografia 1.1 - O Debate Moderno Sobre o Pensamento Científico A partir do Iluminismo o debate científico retomou o pensamento filosófico que submergiu durante a Idade Média. Tomando como modelo as escolas gregas do século IV a.C. para, a partir do séc. XVIII, iniciar ou retomar a crítica como escalada em direção à busca da verdade científica surge o pensamento positivista que teve em Augusto Comte o finalizador da escola iniciada no período anterior, o Iluminismo. A partir da régua, da balança e da contagem, com a ajuda dos instrumentos científicos e utilizando a experiência como teste de verificação, surgia a verificabilidade chamada de empirismo, definindo e fechando o círculo da ciência experimental, ou ciência instrumental. Tudo que fosse definido deveria ser testado e verificado experimentalmente, para isso os métodos de conduzir as experiências seriam os métodos: indutivo, essencialmente a estatística, o método dedutivo, ou o método teórico estruturalista, e a sua variante moderna o método hipotético-dedutivo poperiano baseado na refutabilidade, ou o kantianismo. É nessa fase que a teoria adquire o status de dogma, tudo tem que ser reportado à teoria, recorre-se a ela para explicar, definir e entender os fenômenos, construir as previsões e confirmar os resultados das experiências e observações. Entrou na epistemologia a ditadura da teoria. BACON (2001: apud CHRÉTIEN. p.108) dissera que seria um enorme erro a busca da regularidade na natureza, a base sobre as quais as leis são enunciadas não pode ser confirmada pela natureza, a natureza não é tão igual assim, pois existe na natureza uma infinidade de coisas extremamente diferentes de todas as outras coisas e únicas em sua espécie. 1.2 - O Debate Moderno Sobre o Pensamento Crítico Para BACHELARD (1974) a ciência moderna rompeu com o senso comum e apostou na clareza, na ordem e no método dentro do espírito científico da epistemologia, baseada na especialização, no stricto sensu e na circunscrição do processo de criação do conhecimento à cidade científica onde se desenvolve o espírito científico. A prática científica madura circunscreve o seu objeto de pesquisa e evita as generalizações vagas, separa o fato verdadeiro do conhecimento verídico, fatos verdadeiros e leis verídicas são aproximações do racionalismo materialista os quais abrem perspectivas de descobertas, pois acumulando fatos verdadeiros e verdades dispensadas ganha-se força de previsão, assim vão se preenchendo as lacunas, isso é o racionalismo de identidade e a racionalidade do múltiplo. Para MERTON (1968) o ceticismo organizado prediz que a ciência deve duvidar das verdades proclamadas, do mito, da tradição, do conhecimento maduro, das autoridades científicas, mas esta dúvida precisa ser estruturada pela teoria, pelo método, pelas evidências, pelas provas, pela experimentação, não pela vontade de duvidar, a contestação vazia e a refutação pura não é ciência, o ceticismo organizado exige neutralidade científica e argumentos científicos, para não se igualar na definição dogmática que satisfaz a si mesma de modo autônomo. O comportamento crítico significa que deve submeter-se constantemente à prova de modo incondicional, não existe monopólio da verdade nem verdades indiscutíveis. Para KUHN (1974: In DEUS) a ciência é uma atividade paradigmática cujas rotinas são estabelecidas através de dogmas (dedutivismo). Os paradigmas fornecem a problematização, a prescrição das alternativas, e a opção científica universalmente aceita. O progresso da ciência dá-se em etapas, chamados paradigmas, onde a ciência madura, ou ciência normal, passa por um processo de mudança para incorporar a ciência nova, ou seja: muda de um paradigma velho para o novo. Na ciência normal, que é fruto de um determinado período histórico, foi acumulado o conhecimento científico antecedente, de modo consensual, dentro da cidade científica esta ciência paradigmática forma os manuais científicos que recebem o aval para tornar-se a verdade objetiva. Método dedutivo - Nessa visão de ciência o conhecimento é formulado e estabelecido numa integralidade histórica e contingente com o beneplácito das autoridades científicas, devidamente credenciado, assim todo conhecimento científico dessa fase histórica é todo contextualizado para confirmar os paradigmas e referenciá-los através das notas de rodapé, das notas bibliográficas, da bibliografia, até que ocorra uma crise paradigmática, ou seja, a falência da ciência histórica é anunciada frente a um novo paradigma que tenta se impor ao paradigma histórico. Este momento de mudança é a fase de questionamento dos paradigmas, onde a ciência madura é posta à prova juntamente com os seus esquemas conceituais, este ceticismo organizado gera uma descontinuidade posto que a ciência perde um paradigma velho sem que o novo seja incorporado pela cidade científica, ou seja, ainda não se tornou ainda o consenso na ciência dos manuais, assim, esta ciência teleológica e pré-paradigmática vive a crise da mudança de paradigma à espera do processo de saneamento da crise de superação do contexto da descoberta em que a ciência paradigmática em crise migra para o novo paradigma num processo chamado progresso em direção ao novo paradigma na ciência madura. MORAES (1988: p.30-43) julga o processo de criação de conhecimento uma atividade solitária em que o debate é substituído pelo discurso solitário monológico (método hipotético-dedutivo), entre as teorias e o próprio cientista, que autorizado pela autonomização da razão (dedutivismo) e instrumentado pelo experimentalismo (indutivismo), utiliza-se de uma linguagem lógico-formal para elaborar as leis e chegar ao conhecimento da verdade, autorizado pela racionalidade instrumental, que são fornecidos pelos laboratórios, métodos e procedimentos científicos modernos. MATALLO (1988: In CARVALHO (Org.)) dá a sua contribuição ao debate começando com o pensamento de Platão, lembrando que a intuição é uma tentativa da busca da essência das coisas, que através do primeiro método, o dialético, rompe-se com o senso comum para através das aproximações sucessivas construir o saber, que evoluiu da discussão das idéias para o processo moderno de classificação, identificação, separação e análise do fenômeno, separando o que é real do que não passa de opinião, separando o conjunto de crenças, valores e opiniões que formam o senso comum, a doxa, onde as crenças são falseáveis, podem ser testadas, mas os valores não. O senso comum é a base ou inspiração para a descoberta científica porque desperta a curiosidade para o fenômeno que passa a ser objeto de investigação em busca da confirmação através da teoria, ou de novas teorias, que modificam por sua vez o senso comum aperfeiçoando-o. O senso comum é o resultado da observação desarmada do instrumental científico dado pela teoria que busca a regularidade nos fenômenos. Esse indutivismo resultante dessa percepção exige um esforço de passagem complicado do particular para o geral, da observação para a verificação da regularidade que implica em um número grande de observações para se confirmar a regularidade esperada, assim de posse dos dados sobre a regularidade para a enunciação da lei que expressa a regularidade dá-se o salto epistemológico. As categorias analíticas deste processo de construção do conhecimento seriam: leis, fatos, observações, conceitos, teorias, ciência, contexto de descoberta e contexto de justificação. As leis expressam uma regularidade fenomenológica observável, inviolável em qualquer circunstância; os fatos só existem sob um conjunto determinado de proposições cognitivas; as observações são construídas sobre os fatos a partir de conceitos e das teorias do observador; os conceitos são proposições de significados precisos; as teorias são específicas e formam uma estrutura fechada de conceitos significativos, as teorias constroem a observação empírica da qual derivam as leis (sobre as observações empíricas), as conjecturas criam as teorias, conjecturas tomadas das leis que expressam as regularidades observadas nos fenômenos dentro de um contexto de observação; o contexto de descoberta é o conjunto de conjecturas teóricas a serem experimentadas; o contexto de justificação faz parte do método experimental para explicar o contexto de descoberta. LAKATOS (1983: cap.2. (seções 2.1; 2.2.4; 2.4.1; 2.4.2; 2.4.4; 2.4.5; 2.5.1; 2.5.2.)) & CHALMERS (1993: cap.I, II, III, IV e V.) fecham o debate sobre o processo de criação do conhecimento científico com a sistematização do moderno processo, chamado método científico moderno, reunindo os principais caminhos desde o método cartesiano até o método hipotético-dedutivo. Para estes autores fazer ciência compreende certa concepção de formas de raciocínios específicos dados aos diferentes enfoques e abordagens temáticas, baseadas em decisões concretas de procedimentos, ou formas de proceder, sistemáticas, racionais de forma eficaz, objetiva, eficiente, descritiva. O método científico compreende regras de escolha onde a técnica é a própria escolha. Método hipotético-dedutivo - No método hipotético-dedutivo faz-se a enunciação do propósito da experiência através da hipótese, para no momento seguinte efetuar a depuração através da delimitação do objeto, das condições, dos instrumentos de teste e do processo de refutação, com a apresentação das sub-hipóteses e das contra-argumentações, então se vai para o teste de refutação, quando se tenta desconstruir a hipótese e refuta-la, caso isto aconteça reconstrói-se a hipótese e recomeça-se o processo do início, caso contrário conclui-se pela afirmação provisória sobre a hipótese proposta. Esta provisoriedade permanece até que o conhecimento seja refutado. Método indutivo - No método indutivo o caso observado dentro da expectativa da lei de regularidades vai para a generalização assim que o fato seja confirmado pela significância do número de observações, justificadas no contexto de observação, dentro das condições de observação, instrumentação, análise e síntese, possíveis à luz da teoria e da percepção cognitiva. 1.3 - Lei de Desenvolvimento das Leis A observação dos anéis de Saturno e de Netuno nos faz pensar o que teria determinado o desenvolvimento daquelas soluções geométricas singulares, parecidas com o sistema de asteróides situado entre as órbitas de Marte e da Terra; a forma geométrica anelar da disposição dos planetas em torno do Sol. O que existe em comum nessas geometrias é que elas formam um plano circular, com exceção de Plutão que tem uma leve inclinação. Esta conformação seria a forma mais estável, que requer um menor gasto de energia para equilibrar as forças de atração gravitacional entre eles. Quando os fragmentos de poeira estelar aproximam-se muito começam a formar aglomerados em forma de asteróides e quando atingem um determinado tamanho crítico convergem para a forma mais comum de objetos astronômicos que é a forma esferoidal, a mais equilibrada de todas, aquela forma que possui um gasto mínimo de energia para manter as partes juntas. Essa configuração geométrica exprime uma inteligência imaterial capaz de resolver esse problema geométrico através do algoritmo de minimização da energia que mantém as partes com a maior estabilidade permitida pela configuração e pelo ambiente. A probabilidade de distribuição das possíveis alternativas vai de zero a cem, isto é: existe uma chance mínima de nunca se formar a esfera, ou, uma chance mínima da esfera sempre ser formada, ou uma chance mínima de nunca se formar o anel discóide, ou, uma chance mínima do anel discóide sempre ser formado, segundo o princípio da densidade de distribuição das probabilidades. Segundo Karl Popper, se as previsões concordam com as observações a teoria mantém a sua validade até que seja refutada, embora nunca possamos provar que a teoria esteja correta, nenhuma teoria pode ser provada apenas porque sobreviveu aos mais exaustivos testes refutacionais de acordo com o meto hipotético-dedutivo. As leis clássicas da Física funcionam para os sistemas grandes, onde é possível um grande número de observações sobre o fenômeno, dentro de condições controladas e determinadas, porque as leis são expressões de um certo padrão de repetições num contexto de descoberta, então, de todas as opções possíveis para um conjunto de leis do universo a lei média pode ser prevista e representada pelas leis conhecidas, mas quando o universo era minúsculo, como era na fase de sua formação ganha força o princípio da incerteza, ou seja: que tipos de leis poderiam vigorar naquela fase do universo onde a quantidade de eventos era escassa? HAWKINS conclui dizendo que as leis da ciência não se aplicam ao início do universo, e poderiam, portanto, falhar também em outras épocas, ficando perplexo e sem alternativas diante de tal antinomia. Para sair desta antinomia é que se propõe a lei de que as leis evoluem, e que as leis que vigiam no início do universo não são as mesmas de agora porque as condições do universo mudaram. Nos acostumamos à idéia de que o pensamento científico evolui, então leis sobre a natureza não são mudadas apenas porque o nosso conhecimento da natureza ficou mais refinado, agora é o momento de meditarmos sobre esse dogma de que as leis não evoluem, apenas o nosso modo e ver o universo: isto já não é mais suficiente para explicar tudo. Seguindo a hipótese de que o universo surgiu de uma explosão de um ponto singular onde tudo estaria concentrado, tal densidade de tão grande seria infinita. Num tal ponto, a teoria da relatividade geral de Einstein teria falhado, ela não pode responder a maneira pela qual o universo iniciou, ela falha porque não incorpora o princípio da incerteza HAWKINS (2001: O princípio da incerteza, também chamada de teoria quântica, teve o desenvolvimento dado pelos cientistas: Werner Heisemberg, em Copenhague, Dinamarca, Paul Dirac em Cambridge, e Erwin Schröedinger, em Zurique, esta teoria diz que partículas minúsculas não possuem posição e velocidades definidas, ou seja, quanto mais exatamente se determina a posição, menos exatamente se determina a velocidade e vice-versa. Eisntein horrorizado com tal teoria nunca aceitou tal teoria dizendo que “Deus não joga dados”.), assim como a teoria da relatividade geral HAWKINS (2001: A teoria da relatividade geral cria a dimensão do espaço-tempo curvo, porque os objetos astronômicos são em geral esféricos, e por causa da energia dos objetos que é sempre positiva dá ao espaço-tempo uma curvatura que arqueia as forças e a luz nas suas proximidades.) não era compatível com a lei da gravidade de Newton que a precedeu: ainda mais, falha porque não prevê que as leis do universo poderiam ter mudado também. O que se pode concluir é que os pensamentos de Copérnico sobre o heliocentrismo, sobre a rotação e translação da terra, foram fundamentais para a enunciação das três leis de Kepler, que por sua vez evoluíram para as leis de Newton, que evoluíram para a teoria da relatividade geral, a qual evoluiu para a teoria quântica. Embora em algum instante os citados cientistas tenham, aqui e ali, negado tal associação entre os trabalhos uns dos outros. Mas isso é assunto para um outro trabalho. Para Newton o tempo era eterno, linear e imutável, como parece para muitas pessoas hoje, essas concepções de tempo são adequadas à vida na terra, mas parecem inteiramente inadequadas para os fenômenos nas proximidades das grandes massas, em relação às galáxias e grandes formações astronômicas, e estas definições entram em colapso quando se trata de um buraco negro, onde simplesmente o tempo acaba, desaparecendo, esse é o verdadeiro fim da história. Caso o universo tivesse seguido uma escala linear, seguindo as leis conhecidas hoje para ele, o universo já teria chegado a um equilíbrio térmico, não haveria mais noites porque a distribuição de luz e energia teriam tomado todo o universo. As tentativas de unificar as teorias que tratam das partículas atômicas com as teorias que tratam do universo foram infrutíferas até o momento. Seria a fusão da teoria da relatividade geral com a teoria quântica, a primeira tratando da supergravidade, e a segunda tratando das partículas microscópicas e ondas de energia elétrica ou magnética. Uma teoria denominada teoria das cordas supersimétricas parecia ser a única forma de combinar gravidade com teoria quântica, as cordas, na teoria das cordas, deslocam-se em relação ao espaço-tempo, e as suas ondulações são interpretadas como partículas. Surgiu a teoria-M que trataria da dualidade gravidade-quanta, assim, com cinco teorias das supercordas seria possível descrever a supergravidade juntando as duas dimensões. Esta teoria-M é útil para calcular como umas poucas partículas de alta energia colidem e se dispersam, mas não são muito úteis para descrever como a energia de um enorme número de partículas curva o universo ou forma um estado ligado, como um buraco negro, para essas situações serve a teoria da supergravidade que é a teoria relativista geral de Eisntein, assim ficamos sem a unificação dos dois extremos. HAWKINS (2001: p.57) As leis descritas para o universo, sejam para as partículas microscópicas de alta energia, assim como para descrever os conglomerados galácticos, indicam que existem inteligências imateriais que foram as responsáveis pelos estados: atual, passado e futuro do universo. As leis servem apenas para descrever o fenômeno como são percebidos nos seus padrões pelo intelecto humano, não significam que elas existam, ou que estejam guiando o universo, leis são abstrações humanas, antropocêntricas, e não têm nada a ver com o universo! A passagem do particular para o geral não passa de uma indução autorizada pela ontologia que acredita que o todo é igual à soma das partes constituintes tomadas separadamente e homogêneo. Se isto fosse verdade um relógio desmontado seria igual ao relógio montado, e sabemos que um relógio é mais do que o somatório das suas peças, pois um relógio montado requer uma determinada ordem e hierarquia na organização das suas peças que exige conhecimento técnico para serem organizadas em sua montagem e que depois de montado exige uma regulagem precisa para funcionar como um relógio. A hipótese desse trabalho é que somente a inteligência pode criar o universo, a inteligência seria a capacidade de reduzir o esforço de consumo de energia para contornar os obstáculos do meio-ambiente. O caminhar de um rio pelo seu leito é apenas uma entre milhões de alternativas possíveis para o curso d’água, mas o curso do rio é sempre aquele caminho onde o custo energético é o menor possível da perspectiva da energia potencial, isso é o que se chama inteligência. As leis da hidráulica que se aplicam ao fluxo de corrente de água do rio são apenas registros das regularidades percebidas pelo ser humano a partir das observações dos cursos d’águas, e não regras descobertas pelo ser humano do seguir do fluxo d’água, porque as regras são aproximações imperfeitas da realidade. A realidade é imperscrutável e inapreensível pela cognição humana. Assim como o curso de um rio demonstra a inteligência das águas, a forma de uma gota d’água demonstra como a tensão superficial é a forma mais estável para uma minúscula superfície da gota, esta forma foi possível obter devido à inteligência das moléculas de água em construírem este engenhoso arranjo dentre as milhões de possibilidades de arranjos das moléculas de água. Foi observado por biólogos que um conjunto de organismos unicelulares quando agrupados tendem a uma formação em volta de uma fonte de proteína de modo a formarem um tecido e fagocitarem a proteína como se fosse um organismo único, se este fenômeno surpreendeu os biólogos, podemos agora provar que a inteligência prescinde de um sistema neural. Um conjunto de organismos unicelulares autônomos, isolados e independentes, quando colocados confinados, tende a agir como se fosse um único organismo, essa tendência é o objeto que vamos explorar como o maior indício de que existe inteligência manifesta em toda forma de conglomerado. Uma planta, quando colocada próxima a uma fonte de luz, cria um movimento chamado fototropismo em direção à fonte de luz que dela necessita para efetuar a fotossíntese com o menor gasto de energia, este movimento em direção à fonte de luz é devido à inteligência das células da planta. Quando uma pequena queimadura ou um pequeno corte atinge uma pequena porção da pele imediatamente uma nova camada de pele reduz a superfície exposta para diminuir a perda de material orgânico, este processo não passa pelo controle do cérebro, é totalmente comandado pelas células, o mais surpreendente é que todos os processos intracelulares tais como: a produção de energia, a troca de gases oxigênio e carbônico são comandados pela inteligência celular sem a interferência de qualquer sistema neural. Não existem leis no universo, as leis são ajustes intuitivos construídos pelo cientista para simplificar a percepção dos fenômenos que o ser humano experimenta, que coincidem com os padrões de nossas expectativas antropocêntricas em relação aos fenômenos vistos no universo. O processo de construção das leis é a conseqüência da simplificação das observações que permitem prever os eventos e predizer os seus resultados e conseqüências. É através desse mecanismo metódico que conseguimos compreender e descrever a natureza, por meio de leis, a esse processo dá-se o nome de pesquisa, e o modo de explica-lo chamamos de contexto de justificação. Quando estudamos um fenômeno procuramos alguma regularidade, esta regularidade deve ser estudada no meio-ambiente em que ela pode reproduzir-se a partir da eliminação de tudo aquilo que não desejamos que interfira no fenômeno estudado, então, enunciamos as leis, as circunstâncias, delimitamos o fenômeno e criamos as teorias que são o conjunto de conceitos acerca do fenômeno. Nem sempre o que se observa é o que parece, e esta obviedade pegou muitos sábios reduzindo as suas teorias aos escombros das tolices mitológicas. Por causa da percepção desarmada durante muitos séculos o movimento da terra foi negado, ao invés da rotação terrestre preferiu-se acreditar no movimento aparente e evidentemente óbvio do sol, da lua e dos planetas: tudo o mais parecia firme e estático no céu. Uma observação do céu próxima à camada polar indicava que as estrelas giravam em círculos perfeitos seguindo uma regularidade previsível. Para explicar estes fatos observados foram desenvolvidas muitas teorias sobre o sistema celeste, que iam desde cúpulas fixas no céu, às esferas celestes com estrelas incrustadas girando, mas, no meio dessa regularidade um fenômeno parecia destoar do resto: era uma anomalia no movimento do planeta Marte, que em determinada época do ano Marte revertia o seu movimento e começava a caminhar regressivamente, por um momento, para depois prosseguir no movimento anterior à reversão. Ptolomeu explicou essa anomalia construindo um sistema em que Marte descrevia círculos evolutivos pequenos em sua marcha em torno da terra, formando epiciclos, o que explicaria a sua marcha para trás, mas esse modelo ainda não combinava com as observações, pois deixara muitas lacunas. Outros astrônomos gregos desenvolveram sistemas extremamente complexos envolvendo círculos onde os planetas giravam dentro de outros círculos com os quais conseguiram extrema precisão, porém as pessoas que lidavam com esses cálculos reclamavam freqüentemente da enorme complexidade destes custosos cálculos. Aristarco de Samos previu há três séculos a.C. o heliocentrismo, isto é, previu os movimentos de rotação e de translação da terra, coisa considerada absurda para a época, imaginem, um corpo enorme como a terra solta no espaço e girando, se fosse isso verdade ficaríamos tontos de tanto dar voltas, e seríamos expelidos para o espaço! Era o que pensavam os sábios e sacerdotes da época. Somente no século XVI, com o astrônomo polonês Nicolau Copérnico, cansado da complexidade do sistema ptolomaico, repôs o sol como centro do sistema de planetas e então a simplicidade e a precisão foram estabelecidos, mas não definitivamente. Sabemos que Copérnico disse que a sua hipótese parecia absurda até para ele mesmo, ele admitiu esse sistema, mas ainda conservou as estrelas fixas numa esfera no firmamento, incluindo o sol. Após a descoberta de Copérnico Tycho Brahe começou a fazer medições precisas para verificar o sistema de Copérnico, verificou que as órbitas não confirmavam a precisão dos círculos de Copérnico, então sugeriu que uma pequena mudança fosse introduzida: que o sol girasse em torno da terra, e que os demais planetas seguissem girando em torno do sol. Nessa fase de descobertas, Galileu teve que negar que a terra se movia diante do Tribunal da Inquisição, Kepler percebendo a fraqueza do modelo proposto por Brahe começou a fazer cálculos que reproduzissem matematicamente as observações de Brahe, porque sabia que o seu mestre fazia medições tão precisas que seriam capazes de abarcar a cabeça de um alfinete a cinco metros de distância, portanto se se descobrisse uma lei matemática para os planetas os dados de Brahe coincidiriam com a fórmula matemática, foi o que fez. Após milhares de tentativas com equações, conseguiu estabelecer relações matemáticas entre os seis planetas conhecidos (Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno) e os cinco sólidos geométricos regulares. Kepler ficou extasiado com a sua descoberta: A lei de Kepler das órbitas planetárias se baseava nos cinco sólidos geométricos regulares: de acordo com essa lei uma esfera de raio igual ao da órbita de Saturno circunscreve um cubo. Uma esfera inscrita nesse cubo tem raio igual ao raio da órbita de Júpiter, com um tetraedro inscrito. Uma esfera inscrita no tetraedro dá o raio da órbita de Marte. Em uma esfera relativa ao raio da órbita de Marte tem um dodecaedro inscrito. Uma esfera inscrita no dodecaedro dá a órbita da terra. Continuando este processo de inscrições alternadas de esferas e sólidas regulares, usando o icosaedro e o octaedro, esses nos dão as órbitas de Vênus e Mercúrio. Como só existem cinco sólidos regulares, Kepler acreditava que poderia haver apenas cinco planetas. COMMITEE (1974: 51-8). Ocorre freqüentemente que as leis que revelam correlações entre regularidades, mesmo que bastante precisas e bem justificadas podem não ter quaisquer correlações profundas com a natureza, porque as melhores relações são apenas injunções humanas sobre uma proposição de observação arbitrária sobre a natureza. Hoje esta descoberta de Kepler está completamente esquecida, o que ficou de Kepler foram as três leis que fez sobre a mecânica celeste. A lei do formato das órbitas elípticas em que o sol é um dos centros; a equação R3/T2 = K onde R é o raio da órbita, T é o período da órbita e K uma constante = 3,354; e a lei que diz que os planetas varrem áreas iguais em tempos iguais, áreas obtidas ligando-se o planeta ao sol por uma linha imaginária. A grande descoberta dos sólidos regulares inscritos e circunscritos foram confirmadas pelas observações, então se debruçou Kepler sobre os dados de Brahe e após cerca de setenta tentativas chegou ao modelo de uma curva excêntrica, mas havia uma discordância de cerca de 8/60 de grau, o que equivale ao ponteiro do relógio deslocar-se em 0,02 segundos em relação às observações de Brahe, ele poderia desprezar esta discrepância, mas ficou intrigado porquê Brahe jamais cometeria tal equívoco em suas medições. Tabela de R3/T2 = k Planetas Raio R metros Período T segundos R3/T2 = K Mercúrio 5,79x1010 7,60x106 3,354x1018 Vênus 1,08x1011 1,94x107 3,352x1018 Terra 1,49x1011 3,16x107 3,354x1018 Marte 2,28x1011 5,94x107 3,354x1018 Júpiter 7,78x1011 3,74x108 3,355x1018 Saturno 1,43x1012 9,30x108 3,353x1018 Fonte: Commitee, loc. Cit p.56. Tanto a descrição ptolomaica quanto à kepleriana são precisas, cada uma permite predizer exatamente onde encontrar os planetas no firmamento, dependendo do referencial adotado. Se o referencial for a Terra será apenas mais complicado, se for o Sol, seria muito mais simples, mas dependendo do referencial, se for, por exemplo, de fora do sistema solar vai parecer que o Sol caminha arrastando os planetas que executam epiciclóides em vez de elipses. Para descrever os movimentos dos planetas precisamos primeiro escolher o referencial, e este referencial pode ser qualquer ponto arbitrário, para cada ponto referencial pode-se construir muitas leis e regras, seguidas de equações e teorias as mais diversas. As leis de Kepler são apenas aproximações precisas das trajetórias dos planetas, mas não são suficientemente precisas para servirem de parâmetros precisos para uma viagem interplanetária, sempre é preciso fazer correções durante o percurso, um pequeno erro significa passar a milhares de quilômetros do ponto pretendido. Quanto mais se observam os sistemas celestes mais surpreende que existam muitas irregularidades mais do que regularidades: a observação do movimento de rotação da terra, através de um satélite de observação de órbita polar, revelou que um caminho tirado de uma reta imaginária a partir do pólo Norte terrestre projeta um ponto que descreve um caminho totalmente anômalo, irregular e completamente imprevisível. A alternativa da metodologia científica para esta circunstância é procurar aperfeiçoar as leis existentes para conformar a realidade irregular a um padrão regular, este processo é o que chamamos de evolução das leis. O que se propõe no momento é uma outra alternativa: a idéia de que o universo não é estático, um produto acabado sujeito às leis desconhecidas, rígidas, que estão apenas à espera de serem descobertas e examinadas; o que se propõe é que as leis do universo jamais serão conhecidas porque elas mudam sempre, pelo simples fatos de que elas não existem, o universo tem inteligência, portanto ele pode sempre mudar e adaptar-se às novas circunstâncias, portanto, novas leis são criadas a todo instante. Tais fertilidade e abundância criativas jamais serão inteiramente dominadas pela ciência. Coesão da relação causal (fatos e atos) de causa - efeito Mede o quanto os fatos são independentes/dependentes, ou quanto as suas partes internas estão coesas. 1 – Coesão por coincidência (física) - péssima São fragmentos de fatos que estão juntos fisicamente; se coatam uns aos outros fragmentos de fatos por proximidade; as suas partes internas não guardam outras relações entre si senão a proximidade física. Seu acoplamento tem grande probabilidade de se dar através de dados ou compartilhamentos de ações. 2 – Coesão lógica - péssima As funções internas aos conjuntos de atos e fatos são do tipo decisão (se... então... caso contrário... então). Seu acoplamento com outros fragmentos de atos e fatos tem probabilidade de se dar através de dados ou controle de ações. 3 – Coesão temporal - medíocre Fragmentos de fatos que tratam de atos executados em momentos determinados e precisos do evento. Esses fatos se relacionam com os outros em eventos determinados no tempo, como “ao abrir”, “ao iniciar”, “ao sair”, “ao entrar”, “ao final”, “ao iniciar”, são ligados aos outros fatos e atos na condição temporal, momentânea. Seu acoplamento com outros fragmentos de fatos e atos tem grande probabilidade de se dar por controle dos fatos e atos. 4 – Coesão por procedimento - boa O fato possui procedimentos que são relacionados com algum controle interno aos fragmentos de fatos e atos. Seu acoplamento com outros fatos e atos tem fraca probabilidade de se dar através de controle de fragmentos de atos e fatos; dados não são transferidos entre os fragmentos de fatos e atos. 5 – Coesão por comunicação - ótima Onde os procedimentos internos aos fatos e atos utilizam os mesmos fluxos ou conjunto de dados internos aos fragmentos de fatos e atos nos mesmos eventos. Seu acoplamento com outros fatos e atos tem fraca probabilidade de se dar por dados apenas. 6 – Coesão funcional – excelente É aquele fato ou ato que possui internamente somente uma função-evento. Sua relação com os outros fatos e fragmentos de fatos e atos se dá sem ser coesivo por comunicação, procedimental, temporal ou lógica. Não tem grande probabilidade de se dar acoplamento. 2 - Conclusão Precisamos encontrar uma nova maneira de abordar esta realidade, então essa proposta da existência do processo da criação contínua das leis parece ser um bom começo, aceitar em primeiro lugar que o universo possui inteligência para então se entender as leis da inteligência e aplica-las ao universo, a partir dessa premissa estudar as condições e pré-condições de criação ou aparecimento de uma lei, considerando as circunstâncias e as condições de mudanças das circunstâncias no meio-ambiente. As leis formam-se de um conjunto de conceitos produzidos em um contexto ditado pela metodologia científica onde se pode reproduzir o padrão de comportamento a partir de métodos, instrumentos e paradigmas reconhecidos pela ciência. As leis são um resultado da visão dogmática e paradigmática da natureza. O acaso ou a inteligência A idéia-conceito de lei implica em uma aceitação de que determinado fenômeno dentre todas as alternativas possíveis tem uma excelente probabilidade de repetir-se invariavelmente e indefinidamente mantidas as mesmas condições sine qua non: à contrapor-se ao conceito exposto da lei como uma repetição mecânica natural de um fenômeno mecânico está outra espécie de explicação que seria dada pelo acaso. Pela teoria do acaso os fenômenos seriam escolhidos pela sorte, numa espécie de loteria cósmica. A exclusão destas duas alternativas nos levaria a uma inevitável conclusão que ao invés de raciocinarmos com o acaso e com a ditadura das leis poderíamos conjecturar que o universo possui inteligência, procurando a melhor solução, ou simplesmente um conjunto de soluções para contornar as decisões que são impostas pelos eventos. http://professorrobertorocha.blogspot.com.br/2016/12/sobre-causa-e-efeito-metodologia.html 3 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BACHELARD, Gaston. Conhecimento Comum e Conhecimento Científico. In : GONZALES, E. N. BASTOS, M. (Orgs.). Iniciação à Metodologia Científica. Brasília: EdUnB, 1974. CHALMERS, A. F. O Que é Ciência Afinal? Brasília: Brasiliense, 1993. cap.I, II, III, IV e V. CHRÉTIEN-GONI, Jean-Pierre. Dicionário dos Filósofos. São Paulo: Martins Fontes, 2001. COMMITEE. EDUCATIONAL SERVIVES INCORPORATED. (Tradução de: MORENO, Márcio Q.). FÍSICA. Physical Science Study Commitee. São Paulo: Edart, 1974. GALILEU. Opere di Galileo Galilei. Florença: Edizione Nazionale, 1890-1909. 20 vol. HAGSTROM, W. O Controle Social dos Cientistas. In : DEUS, J. Dias. A Crítica da Ciência. Rio de Janeiro: Zahar, 1974. HAWKINS, Stephen. O Universo Numa Casca de Noz. São Paulo: Mandarim, 2001. KUHN, Thomas S. A Função do Dogma na Investigação Científica. In : DEUS, J Dias. (org.). A Crítica da Ciência. Rio de janeiro: Zahar, 1974 LAKATOS, E. M. & MARCONI, M. A. Metodologia Científica. São Paulo: Atlas, 1983. cap.2. (seções 2.1; 2.2.4; 2.4.1; 2.4.2; 2.4.4; 2.4.5; 2.5.1; 2.5.2.). MARCONDES, Danilo. História da Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2000. MATALLO Jr, H. A Problemática do Conhecimento. In : CARVALHO, M. C. (Org.). Construindo o Saber. Campinas: Papirus, 1988. MERTON, Robert. Sociologia: Teoria e Estrutura. São Paulo: Mestre Jou, 1968. Caps.XVII-XVIII. MORAES, Régis de. Filosofia da Ciência e da tecnologia. Campinas: Papirus, 1988. p.30-43; (Breve Abordagem Histórica da Evolução da Ciência).