terça-feira, 5 de julho de 2022

Virou torcida de estádio ou o circo

Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político
Virou torcida de estádio ou o circo
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Pessoas que adoram competição são consideradas prósperas, e tudo partiu de um enorme equívoco a partir da noção de que a competição gera resultados positivos.

Pode ser, mas a que custo?

Para produzir um único vencedor precisamos que todos os demais inúmeros competidores sejam perdedores, isto para um país, para um exército, para um empresa, para uma corporação, para uma família que não espera que apenas um dos membros familiares seja um verdadeiro triunfo, a mãe quer que todos os seus filhos tenham muito sucesso, o fracasso de qualquer outro de seus filhos não pode ser compensado pelo enorme sucesso de um deles, apenas.

Continuamos a incentivar os heróis da humanidade, sem percebermos o enorme estrago que destacar uma dentre as demais provoca na mente dos perdedores, dos anônimos, por isso vemos a Alemanha continuar importando trabalhadores turcos desde os anos de 1976 porque os jovens alemães preferem ficar desempregados a ocuparem aquelas funções que a sociedade alemã reservou para o papel dos perdedores, dos derrotados, dos fracassados, são: os encanadores, os mecânicos, os coletores de lixo, os cozinheiros, os pedreiros, os carpinteiros, os marceneiros, os garçons, os motoristas, os paramédicos, enfim; todos: os coveiros, e padioleiros, aqueles que fazem a sociedade funcionar sem serem vistos e reconhecido; como: os faxineiros, os entregadores, os carregadores, os motoboys, os entregadores; os que fazem a sociedade ter: conforto, limpeza, asseio, ordem, saúde, comida, e abastecimento, bem estar e lazer.

Muitas destas desprezadas profissões recebem por vezes remunerações muito elevadas, mais do que as profissões não consideradas dignas pela sociedade, mas quem tiver coragem de exercer e enfrentar os preconceitos pode ter uma vida bastante confortável e sossegada financeiramente, desde que não ligue para a opinião da sociedade afluente.

Essa loucura social nos levou ao outro extremo da vida em sociedade; onde o que as pessoas pensam sobre o que as outras pessoas estão pensando; e, sobre o que as pessoas pensam que o outro pensa que eles estão pensando; então acabam pensando o que os outros pensam que ele está pensando; e esse jogo continua a empurrar as pessoas para uma competição silenciosa onde até os candidatos dos partidos políticos são objeto de disputa de status social; quer saber se seu candidato é mais burro e pobre do que o meu candidato, porque quem segue o seu candidato é uma pessoa inferior moralmente, intelectualmente, financeiramente e eticamente; todos os outros são meus adversários; e qualquer coisa pode ser uma arena de disputa de status social: meu time de futebol pelo qual eu acompanho é superior ao do outro; a cidade onde eu nasci é superior a cidade onde o outro nasceu; o meu país é superior ao outro; a outra raça é inferior à minha etnia, assim, a competição produz mais estragos do que benefícios para a civilização. 

Até quando vamos adorar a competição como estímulo social da humanidade? Cooperação, e não competição é o que precisamos.


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