Grã-Portugal
Só o Brasil pode propor uma união de reinos, novamente, Reino Unido de Portugal e Algarves, com monarquia restaurada, e tudo mais.
Reino expandido, inclusivo, se toparem, também: Angola, Moçambique, Goa, Macau e Timor Leste.
O mundo lusófono junto, formando a comunidade Lusitana do Grande-Portugal, a um só reino, a um só Estado.
Não se pode voltar a colocar no ostracismo uma ideia uma vez parida e anunciada, vai passar geração e outra até que alguém a vai concretizar.
É o destino, desde o descobrimento do Brasil ficou matizada a miscigenação, das índias, com os portugueses que se entenderam imediatamente, se apaixonaram rapidamente, com os colonos portugueses das sesmarias, o sincretismo das religiões africanas e islâmicas recriaram a Deusa Maria, que se replicaram em centenas de Marias: Das Graças, Das Dores, Da Penha, Aparecida, Conceição, Izabel, Do Carmo, Auxiliadora, Mãe de Deus, Imaculada Conceição, Perpétuo Socorro, Virgem Maria, Guadalupe, Santa Maria, Fátima, Santíssima Virgem, Mãe de Jesus, Assunção, Nazaré, Nossa Senhora, Estrela do Mar, Rainha do Céu, Medalha Milagrosa, Do Rosário, Da Abadia, dos Homens Pretos, Dos Milagres, Do Amparo, D’Ajuda, Dos Aires, Da Anunciação, Dos Anjos, Los Angeles de Porciúncula, Da Apresentação, Da Arábia, Babilónia, Arrábida, Assiute, Dos Alagados, Beauraing, Belém, Boa Hora, Bom Parto, Boa Morte, Bom Sucesso, Boa Viagem, Copacabana, Candelária, Desterro, Providência, Glória, Encarnação, Lapa, Vitória, Livramento, Luz, Mercês, Montserrat, Natividade, Navegantes, Do Ó, Patrocínio, Penha, Piedade, Pentecostes, Prazeres, Presépio, Soledade, são centenas de nomes a partir da matriz da Companhia de Jesus, fez do Brasil de Portugal a maior nação católica do mundo.
Sérgio Buarque de Holanda, historiador, Roberto da Matta, antropólogo, com curiosidade científica e feeling matuto, um marxista e outro social democrata, Darci Ribeiro, Gilberto Freyre, todos brasilianistas que foram buscar na cultura dos colonizadores lusitanos, estudaram os nativos brasileiros e foram até as raízes africanas da Guiné, Angola, Moçambique, Malês, Etíopes, Ganenses, Sudaneses, foi se formando a ideia que as nações indígenas são diversas, diferentes, e que não existe um africano, são muitos africanos diversos nas culturas, línguas, costumes, etnias, vieram a visão do mundo com a linguagem da culinária, então abriu um mundo novo com plantas novas como: tabaco, cacau, mandioca, dezenas de frutas novas, variedades com cupuaçu, açaí, mangaba.
Brasileiros reinventaram festas europeias como o carnaval que recebeu a versão brasileira carioca profissionalizando a diversão sagrada e levada a sério como uma empresa e religião do samba, modificaram instrumentos musicais como o agogô, cuíca, triângulo, pandeiro, afoxé, criaram jeitos de danças como capoeira marcial, artística, letal, os novos ritmos como bossa nova, pagode, xaxado, forró, maxixe, lundu, a tristeza do fado virou o chorinho e fandango, o vira é o novo xote, e o acordeão transformou-se em acordeão ou gaita gaúcha.
A sisudez seca do africano com o alargamento do temperamento português literal, conspícuo, directo sem subtilezas, com o carácter evasivo e concreto contingente do indígena simbólico e litúrgico esotérico e supersticioso, este tipo de combinação em diferentes proporções verifica-se na diversidade de dialectos e calão, sotaques e temperamento de cada estado da federação, de cada região, de cada bairro das megalópoles que se fecharam e guetos produzindo uma variedade de costumes e culturas desde a música ao comportamento social de cada grupo social regional.
A nossa produção cultural é diversa e nem por isso qualquer estrangeiro ou migrante deixa de correr o risco de ser descoberto, tão é logo destacado da população local nativa imediatamente: não se aprende todos os maneirismos subtis dos brasileiros sem um ritual de passagem extremamente complexo, onde uma única entoação diferente e estranha à nossa língua perdida entre uma frase, ou uma concordância mal articulada, ou artigo mal colocado na conjugação das frases em um ato falho causa a denúncia como um espião apanhado em flagrante mesmo aquele migrante com algumas dezenas de anos aculturado, é precisamente onde os estrangeiros mais escorregam porque as regras estão cheias de exclusões inclusões e exceções.
O brasileiro é: descarado como um italiano, com a discrição britânica, com o pragmatismo português, e a brutalidade russa, e a subtileza indígena, com a sensualidade africana, imagina isso misturado com a precisão polaca em matemática, pele caucasiana, lábios e ancas africanos, cabelo ondulado, olhar maroto de um filipino, a agressividade espanhola, e a crueldade fria de um viking, letal e silencioso como um samurai Bushi, a paciência e cautela de um monge tibetano.
O brasileiro vive a eterna qualidade do estado do meio: é extremo meio tudo, sem os extremos, cautelosamente certo de absolutamente nada, é o ateu místico ecuménico.
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